O recomeço acompanha, de forma discreta, a nossa história como seres em evolução. Essa “arte” rege inúmeros ciclos naturais, como a reencarnação, os dias, entre outros, nos fornecendo novas oportunidades de crescimento e aprendizado. O tema encontra-se, em específico, no Capítulo IV do Evangelho Segundo o Espiritismo

Nessa publicação, inspirada em palestra realizada na Associação Espírita Fé e Caridade, no dia 11 de janeiro de 2021, conheceremos um pouco mais sobre o recomeço, à luz da Doutrina Espírita.

Recomeço

O recomeço é tratado claramente no diálogo entre Jesus e Nicodemos, apresentado no Evangelho de João:

“Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo.” (Jo 3:3)

Nesta passagem, abordada também no Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IV, item 5, Jesus traz uma visão relacionada à mudança espiritual e à mudança de hábito. É somente pela mudança em nossas atitudes, nossos hábitos e “nascendo de novo”, no sentido de recomeço, que conseguimos nos aproximar do Reino dos Céus, atingindo a plenitude espiritual.

A obra Fonte Viva, Emmanuel nos ajuda a compreender essa passagem de João:

“(…) Renasce agora em teus propósitos, deliberações e atitudes, trabalhando para superar os obstáculos que te cercam e alcançando a antecipação da vitória sobre ti mesmo, no tempo… Mais vale auxiliar, ainda hoje, que ser auxiliado amanhã.” – Fonte Viva, Cap. 56

Comodismo

Por sermos espíritos em evolução, é evidente que ainda não conseguimos “Ver o Reino de Deus” com a mesma amplitude e elevação que Jesus, mas por que é tão difícil seguir as orientações de recomeço?

Joanna de Ângelis conceitua a preguiça como:

“(…) propensão para a inatividade, para não trabalhar, também conhecida como lentidão para executar qualquer tarefa, ainda caracterizada como negligência, moleza, tardança (…)” – Conflitos Existenciais, Cap. 2

Dessa forma, quando entramos nesses ciclos de repouso prolongados, acabamos nos acomodando com o nosso estado evolutivo, caminhando em sentido contrário à Lei do Progresso.

Livre-Arbítrio

O livre-arbítrio é o atributo do Espírito que nos torna responsável por nossos atos e nos fornece amparo no sentido da arte de recomeçar. De acordo com Allan Kardec, o livre-arbítrio é:

“(…) a liberdade de fazer ou não fazer, de seguir este ou aquele caminho para seu adiantamento, o que é um dos atributos essenciais do Espírito.” – Obras póstumas, cap. III, Criação, item 16.

Assim, sair do comodismo depende da nossa vontade e das nossas ações, por meio do livre-arbítrio.

3 passos para o recomeço

1. Autoconhecimento

O autoconhecimento é o primeiro passo para atingirmos o “Reino dos Céus”, como afirma Santo Agostinho, no Livro dos Espíritos:

“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual.” – Livro dos Espíritos, Cap. XII, Pergunta 919 a)

Servindo de instrumento para a análise individual de nosso progresso, o autoconhecimento ajuda a identificar falhas e imperfeições dentro de nós. Quando conseguimos compreender nossos defeitos, podemos começar a trabalhar para uma melhoria efetiva.

2. Trabalho Duro

O crescimento moral e espiritual é um processo árduo que demanda resiliência para nos manter focados no progresso. Joanna de Ângelis nos esclarece que:

“(…) o trabalho, porém é lei da Natureza mediante a qual o homem forja (fabrica) o próprio progresso desenvolvendo as possibilidades do meio ambiente em que se situa (…)” – Estudos Espíritas, Cap. 11

O trabalho, entendido pelo Espiritismo como sendo toda ocupação útil, dessa forma, permite que nos tornemos escultores do nosso próprio progresso, esculpindo diariamente o nosso crescimento.

3. Amor a Deus

Jesus nos ensinou, mais de 2 mil anos atrás que devemos:

“Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo” (Mateus 22 : 37-39)

Dessa forma, amando o Pai Celestial, estamos desenvolvendo o amor por toda a criação. Em especial, o amor por nós mesmos, transformando os sentimentos de cobrança conosco mesmos em esperança de melhoria e progresso.

Exemplos de recomeço

Nicodemos

A história de Nicodemos pode nos servir como inspiração para aqueles que buscam a “arte de recomeçar”. Nicodemos é descrito como sendo o “príncipe dos judeus”:

“E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.” (João 3: 1)

Esse título demonstrava a sua posição social como membro do Sinédrio e Doutor da Lei. No entanto, os ensinamentos de Jesus chegaram até ele. Nicodemos, então, contraria o que seria esperado de um Doutor da Lei na época, estudioso e conhecedor da Lei de Moisés, e vai em busca de orientações com o Mestre:

“Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.” (João 3: 2)

No restante de seu diálogo com Jesus, os conceitos de renovação e recomeço se fizeram extremamente presentes, evidenciando que nunca é tarde para compreendermos os ensinamentos da Lei do Amor trazida por Jesus.

Paulo de Tarso

Outra história que pode nos inspirar é a de Paulo de Tarso, que também apresentou um recomeço ou ‘renascimento’ durante a sua vida. Paulo era conhecido como Saulo de Tarso, um perseguidor dos discípulos de Jesus.

Durante uma viagem para Damasco, ao passar por um deserto, Saulo se depara com a aparição de Jesus. Saulo havia passado por muitos sofrimentos e sacrifícios até que foi envolvido com os ensinamentos de Jesus.

Ao se tornar o Apóstolo Paulo, ele desenvolveu um trabalho extremamente elevado, tornando-se um dos apóstolos que mais transmitiu ensinamentos após a morte do Cristo.

A história de Paulo de Tarso pode ser conhecida e estudada com detalhes na obra Paulo e Estevão, de autoria do espírito Emmanuel na psicografia de Francisco Candido Xavier.

Acompanhe a íntegra da palestra que inspirou esta publicação:

*Colaborou com esta publicação: Alberto Luz.

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