Em 5 de julho de 2021 recebemos nos canais digitais da Associação Espírita Fé e Caridade a exposição doutrinária da nossa irmã Andrea M. Schüsller, com o tema A Construção da Paz.

Andrea inicia sua exposição falando dessa palavra: paz. Tão pequena, mas que exprime tanto significado. Nunca se falou tanto em paz, talvez pelo momento de pandemia que estamos atravessando, em que sentimentos como a intolerância, a violência, a agressividade o desamor têm se mostrado tão exacerbados.

Palavra tão pequenina, que se apresenta tão grandiosa e sempre inserida em nossas conversas, nos livros, nas revistas, nos filmes, nas mídias… Em todos os lugares.

Segundo o dicionário, nos fala Andrea:

A Paz é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações e agitação. Ausência de conflitos entre as pessoas; um bom entendimento.
— Wikipedia.

E a palavra paz tem sua origem no latim “pax”, que significa:

Ausência de guerra, de lutas, violência ou perturbações sociais.

Então podemos entender que a paz, no plano individual É um estado interior desprovido de sentimentos negativos constantes, como: o ódio, a fúria, a agressividade. E no plano social, nas relações estabelecidas com o outro, é a busca pelo equilíbrio: aprendendo a aceitar as diferenças, os diversos pontos de vista, o respeito as escolhas do outro. Garantindo assim poderá existir um estado de concórdia e bem-estar entre os envolvidos.

Devemos refletir e nos perguntar: como posso construir a paz, em mim?

E Jesus, nosso Mestre, é quem dá a medida e vem nos ensinando, assim como ensinou aos seus Apóstolos, há mais de 2 mil anos:

Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz.
Mas não a dou, como o mundo dá.
— João, 14-27.

Por que a paz do Cristo é muito diferente da paz do mundo. A paz de Jesus é pulsante. Sua paz não se identifica com a inércia, mas com o esforço que cabe a todos nós na conquista de nós mesmos, da Paz e do Reino de Deus. É um sublime estado de consciência, feito de serenidade e harmonia.

Desse modo, a paz do Mestre Jesus não é um presente, mas uma conquista. É esforço em burilar o próprio caráter, é crescer em entendimento e compreensão.

O seu gozo pressupõe um profundo silêncio interior, que não depende das ocorrências do mundo. É o movimento harmônico de corações. É regido pelo Amor.

Apenas se pacifica quem procura desenvolver seus talentos pelo estudo e trabalho constantes, e os utiliza na criação de um mundo melhor, através das vivências dos ensinamentos de Jesus.

No livro Obras Póstumas, publicado após o desencarne de Allan Kardec, vemos que:

O homem que trabalha seriamente em seu melhoramento assegura sua felicidade, desde esta vida.
Terá calma, porque as vicissitudes não o afetarão senão de leve;
Terá saúde, por que não esgotará o corpo com excessos,
Terá a paz da alma, porque não terá necessidades impossíveis.
— Allan Kardec em Obras Póstumas, p. 309.

A construção da Paz e o Amor

Ainda não entendemos bem o ensinamento de Kardec, não é mesmo?

Ainda precisamos aprender a conjugar o verbo amar, buscando conquistar a nós mesmos, a satisfação de ser útil e de fazer o bem para nós e também para o outro.

A palestrante Andrea relembrou Epícuro, o notável filosofo grego, que asseverou que:

As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo.
— Epícuro.

Nesse ponto a palestrante coloca uma lista de perguntas para nossa reflexão:

  • Será que somos gratos por tudo quanto aconteceu no passado e, que através dessas experiências de alegrias e tristezas, nos construiu até aqui?
  • Será que refletimos se dispomos de coragem para os enfrentamentos do futuro?
  • Será que estamos dispostos a transformar, portanto, essas heranças doentias em experiências renovadoras?
  • Será que temos nos dedicado a conquistar a paz? Buscando novos hábitos, que substituirão os maus pendores até poderem transformar-se em condutas naturais, para que a existência seja mais leve, mais bela e mais feliz?

Na questão 967 de O Livros dos Espíritos, Kardec pergunta: Em que consiste a felicidade dos bons Espíritos? E a resposta dos Espíritos, é bem clara:

Em conhecerem todas as coisas. Em não sentirem ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que ocasionam a desgraça dos homens.
O amor que os une lhe é fonte suprema de felicidade, são felizes pelo bem que fazem.
— O Livro dos Espíritos, questão 967.

Sabemos que não conseguiremos atingir essas conquistas da noite para o dia, ou no curto prazo, mas precisamos iniciar o exercício para que um dia encontremos a felicidade dos Espíritos adiantados.

Dedicação para a construção da paz

Seguindo a bela exposição de Andréa, não poderíamos deixar de escrever as seguintes explicações de Malcolm Gladwel. O autor relata que as pesquisas indicam que são necessárias 10 mil horas de prática para se atingir o grau de destreza em qualquer atividade. Foram estudados compositores, jogadores de basquete, escritores de ficção, esquiadores, pianistas, jogadores de xadrez. Essas 10 mil horas, equivalem a cerca de 3 horas por dia, ou 20 horas por semana de treinamento, durante 10 anos.

Segundo o estudo, parece que o cérebro precisa desse tempo para assimilar tudo o que é necessário para atingir a verdadeira destreza. Temos relatos de exemplos como Mozart, famoso por ter começado a compor aos 6 anos. No entanto, ele produziu suas mais significativas obras depois de mais de 20 anos de prática.

Outro notável exemplo vem de Divaldo Franco, que relata em sua biografia o momento em que Joanna de Ângelis pediu que jogasse fora seus primeiros textos psicografados. A benfeitora disse que todos os escritos até aquele momento haviam sido parte do treino. Somente a partir daquele instante começariam a psicografar de verdade os livros, textos, mensagens a serem publicados.

Percebemos então que nosso burilamento, o nosso processo evolutivo, vai se realizando de modo gradual e contínuo, exigindo de nós persistência, coragem, determinação.

Entendamos que, depois de adquirirmos uma virtude, ela é para sempre. Vamos percebemos que todo o esforço e todo o empenho para a aquisição de hábitos saudáveis, aqueles edificantes que trazem harmonia emocional, para a conquista da paz e da tranquilidade em nossa vida, valem a pena. É a Paz ensinada por Jesus.

Tem uma história que ilustra esse processo com muito carinho: a “Loja de Virtudes”.

Certa vez, um rapaz estava caminhando numa estrada e viu uma loja grande e bonita.
Em cima estava o letreiro: LOJA DE VIRTUDES. Ele se interessou e entrou.
Viu nas prateleiras os nomes dos produtos:
Sabedoria, esperança, fé, amor, paciência, perseverança, paz, tolerância, bondade… e muitas outras mais…
– Resolvi meus problemas, pensou ele.
Apareceu o balconista, que era um anjo, e o rapaz foi logo lhe pedindo:
– Por favor, me arrume 2 porções de alegria. De fé eu quero 5, e 3 de paciência.
Dê-me também 8 porções de paz.
O anjo foi lá dentro e veio com um embrulho pequenino, dizendo que ali estavam todos os seus pedidos. O jovem reclamou:
– Mas, só isso?
O anjo lhe disse:
– Aqui nós só vendemos as sementes das virtudes. Os frutos dependem de você.
Você é que deve plantar e cultivar essas sementes.
O interessante é que, quando o moço foi pagar, o anjo disse:
– Já está tudo pago. O Mestre Jesus já pagou tudo.

A lição que o pequeno conto nos traz é que, ao nos criar, Deus já nos deu as sementes de todas as virtudes. Jesus, como modelo e guia, nos traz as ferramentas e adubos para o cultivo. O desenvolvimento desses valores eternos depende de cada um de nós.

Depende do nosso querer organizar nossa casa interior, fazer a faxina necessária nos porões do nosso ser. Exige empenho e dedicação, sair daquela situação de conforto. Se assim persistirmos iremos aos poucos sentindo a verdadeira paz e felicidade.

Somente assim teremos conquistado a paz.

Acompanhe agora a íntegra da palestra que inspirou esta publicação:

*Colaborou para esta publicação: Marli Giarola Fragoso.
** Imagem em destaque:
Adrianna Calvo via Pexels.

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