No dia 5 de abril de 2021 tivemos na Associação Espírita Fé e Caridade a exposição Doutrinária proferida por nosso irmão Eduardo Jonker, com o tema: Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal, com base no capítulo IX de O Livro dos Espíritos.

Na questão 459 Allan Kardec pergunta à espiritualidade sobre a influência dos espíritos em nossos pensamentos e atos. Será que existe essa influência?

Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que de ordinário são eles que vos dirigem.

O expositor inicia a palestra convidando a todos a essas reflexões, quais Espíritos estamos permitindo que nos dirijam? Quais Espíritos que nos acompanham, quais os Espíritos que nos seguem, quais estão a nossa volta?

Depende de cada um. A expressão popular diz: diga-me com quem andas que te direi quem és. Na Doutrina Espírita a pergunta muda um pouco: diga-me o que pensas que direi com quem andas.

460. De par com os pensamentos que nos são próprios, outros haverá que nos sejam sugeridos?
Vossa alma é um Espírito que pensa.  Não ignorais que, frequentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre o mesmo assunto e, não raro, contrários uns aos outros. Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que tendes em vós duas ideias a se combaterem.
— O Livro dos Espíritos.

Influência dos espíritos e mediunidade

No capítulo XIV de O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, ensina:

Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium.  Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos.  Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva.
— O Livro dos Médiuns.

Essas palavras de Allan Kardec nos levam a concluir que todos somos portadores da mediunidade natural que é o canal psíquico pelo qual recebemos as influências boas ou ruins que estimulam as experiências do Espírito na vida terrena.

No livro Evolução em dois mundos, pela psicografia de Francisco Candido Xavier e Waldo Vieira, André Luiz esclarece que:

Justo, assim, registar que a simbiose espiritual permanece entre os homens, desde as eras mais remotas, em multifários processos de mediunismo consciente ou inconsciente, através dos quais os chamados “mortos”, traumatizados ou ignorantes, fracos ou indecisos, se aglutinam, em grande parte, ao “habitat” dos chamados “vivos”, partilhando-lhes a existência, a absorver-lhes parcialmente a vitalidade, até que os próprios Espíritos encarnados, com a força do seu próprio trabalho, no estudo edificante e nas virtudes vividas, lhes ofereçam material para mais amplas meditações, pelas quais se habilitem à necessária transformação com que se adaptem a novos caminhos e aceitem encargos novos, à frente da evolução deles mesmos, no rumo de esferas mais elevadas.

Na questão 466 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta à espiritualidade por que permite Deus que os Espíritos nos incitem ao mal.

Os espíritos imperfeitos são os instrumentos destinados a experimentar a fé e a constância dos homens no bem. Tu, sendo Espírito, deves progredir na ciência do infinito, e é por isso que passas pelas provas do mal até chegar ao bem. Nossa missão é a de te pôr no bom caminho, e quando más influências agem sobre ti, és tu que as chamas, pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm em teu auxílio no mal, quando tens a vontade de o cometer: eles não podem ajudar- te no mal, senão quando tu desejas o mal. Se és inclinado ao assassínio, pois bem! terás uma nuvem de Espíritos que entreterão esse pensamento em ti; mas também terás outros, que tratarão de influenciar para o bem, o que faz que se reequilibre a balança e te deixe senhor de ti.

Em seguida, o próprio Kardec comenta: “É assim que Deus deixa à nossa consciência a escolha da rota que devemos seguir, e a liberdade de ceder a uma ou a outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.”

Anjos guardiães e espíritos protetores

Se Deus permite que soframos influências negativas atraídas pelos nossos pensamentos e ações, com o objetivo de nos levar ao aprendizado, em Sua Misericórdia não nos deixou a mercê dos acontecimentos, também nos colocou ao lado nossos Anjos Guardiães, Espírito mais elevado, que nos instrui e protege, e que respeita o nosso Livre Arbítrio.

No livro Religião dos Espíritos, o benfeitor Emmanuel, a partir da psicografia de Francisco Candido Xavier, nos fala um pouco sobre esse nobre amigo, o anjo guardião.

Ser-nos-á sempre fácil discernir a presença dos mensageiros divinos ao nosso lado, pela rota do bem a que nos induzam. (…)
Erigem-se na estrada por invisível apoio aos nossos desfalecimentos humanos, e aclaram-nos a fé na travessia das dores que fizemos por merecer.
São rosas no espinheiral de nossas imperfeições, perfumando-nos a agressividade com o bálsamo da indulgência, e estrelas que brilham na noite de nossas faltas, acenando-nos com a confiança no esplendor da alvorada nova, para que não chafurdemos o coração no lodo espesso do crime.
E, sobretudo, diante de toda ofensa, levantam-nos a fronte para o Justo dos justos que expirou no madeiro, por resistir ao mal em suprema renúncia, entre a glória do amor e a bênção do perdão.
— Emmanuel, em Religião dos Espíritos, capítulo 35.

Fonte: página do Grupo Chico Xavier e Amigos

Pensamento e influência dos espíritos

Os Espíritos nos esclarecem sobre a realidade da influência espiritual, mas nos consolam informando que está em nosso querer a possibilidade de realizar o esforço para buscar essas informações e orientações. Devemos vigiar, no exercício constante que nos colocará a salvo dessas influências.

Já vimos que é através dos nossos pensamentos, sentimentos, palavras e atos é que se estabelecem essas conexões.

Em O Livro dos Espíritos, na questão 909, eles nos instruem com essa preciosa lição:

Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! quão poucos dentre vós fazem esforços!”
— O Livro dos Espíritos.

No capítulo 2 do livro Pensamento e Vida, pela psicografia de Francisco Candido Xavier, Emmanuel nos fala da Vontade, essa preciosa potência da alma.

(…) na Vontade temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo causas que comandam os problemas do destino.
Sem ela, o Desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento, a Inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade, a Imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a Memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a Natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento.
Só a Vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do espírito.
Em verdade, ela não consegue impedir a reflexão mental, quando se trate da conexão entre os semelhantes, porque a sintonia constitui lei inderrogável, mas pode impor o jugo da disciplina sobre os elementos que administra, de modo a mantê-los coesos na corrente do bem.
— Emmanuel em Pensamento e Vida.

Fonte: Grupo Espírita Allan Kardec

Se não houver o esforço da vigilância dos pensamentos, a prática do bem, a oração, essas influências frequentes poderão se transformar em obsessões, trazendo sérias consequências para o encarnado.

Ensina Emmanuel que é necessário atenção a tudo que provém de nossos pensamentos, por menores que nos pareçam, pois os agentes do mal apenas dominam onde lhes favoreçamos a intromissão.

(…) Se aspiramos ao erguimento de realizações que nos respondam ao elevado gabarito dos ideais, é forçoso selecionar os ingredientes que nos constituem a vida íntima, cultivando o bem nas menores manifestações. Qualquer ação oposta comprometerá a estabilidade da organização que pretendamos efetuar.
À vista disso, cogitemos de sanear emoções, ideias, palavras, atitudes e atos, por mínimos que sejam.
Todos nos referimos ao perigo dos agentes do mal que nos ameaçam; no entanto, os agentes do mal apenas dominam onde lhes favoreçamos a intromissão.  E a intromissão deles, via de regra, se verifica principiando pela imprudência da brecha…
Hoje, uma queixa;
amanhã, um momento de azedume;
cedo, uma discussão temerária;
mais tarde, uma crise de angústia perfeitamente removível através do serviço;
agora, um comentário deprimente;
depois, um minuto de irritação;
e, por fim, a enfermidade, a delinquência, a perturbação, e, às vezes, a morte prematura.
— Emmanuel no livro Estude e viva, por Francisco Candido Xavier e Waldo Vieira.

O benfeitor finaliza a mensagem lembrando que “o desastre grande, quase sempre, é a soma dos descuidos pequenos”.

Sobre esse tema tão importante, Emmanuel continua a nos favorecer com tantas observações, as quais, para nosso bem, nos cabe ler, reler, estudar e refletir… Até adquirirmos maturidade espiritual, segurança e domínio sobre nós mesmos, aprendendo a fazer escolhas melhores, sempre norteadas pelo Evangelho do Cristo.

(…) Um livro, uma página, uma sentença, uma palestra, uma visita, uma notícia, uma distração ou qualquer pequenino acontecimento que te parece sem importância, pode representar silenciosa tomada de ligação para determinado tipo de interesse ou de assunto.
Geralmente, toda criatura que ainda não traçou caminho de sublimação moral a si mesma assemelha-se ao viajante entregue, no mar, ao sabor das ondas.
Receberás, portanto, variados apelos, nascidos do campo mental de todas as inteligências encarnadas e desencarnadas que se afinam contigo, tentando influenciar-te, através das ondas inúmeras em que se revela a gama infinita dos pensamentos da Humanidade, mas, se buscas o Cristo, não ignoras em que altura lhe brilha a faixa.
Com a bússola do Evangelho, sabemos perfeitamente onde se localizam o bem e o mal, razão por que, dispondo todos nós do leme da vontade, o problema de sintonia corre por nossa conta.
— Emmanuel no livro Seara dos médiuns, por Francisco Candido Xavier.

Acompanhe na íntegra a palestra que inspirou esta publicação:

* Colaborou para esta publicação: Marli Giarola Fragoso.

** Imagem em destaque: Nita via Pexels.

Categorias: Notícias

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