Querido leitor, você admite como verdadeira a Reencarnação? Sim? Então nos questionemos: o que é demonstrar no dia a dia que sentimos o significado da reencarnação? Algo importante de se refletir… Jesus certamente é O Exemplo de como viver não apenas sabendo, mas sentindo essa Lei, que Ele próprio nos alertou (em Jo 3:3).

Hoje discutiremos acerca do tema “Jesus e Reencarnação”, segundo capítulo da obra Jesus e Atualidade. Essa é o primeiro livro da Série Psicológica de Joanna de Ângelis, psicografada por Divaldo Pereira Franco.

Nossa querida irmã Carla Ribeiro trouxe reflexões sobre o tema, em palestra nos canais digitais da Associação Espírita Fé e Caridade. Neste capítulo, Joanna nos oferece um vislumbre da reencarnação sob a ótica da vida do Cristo.

Jesus e Reencarnação

Joanna de Ângelis inicia o capítulo afirmando:

Não fosse Jesus reencarnacionista e toda a Sua mensagem seria fragmentária, sem suporte de segurança, por faltar-lhe a justiça na sua mais alta expressão, propiciando ao infrator a oportunidade reeducativa, com o consequente crescimento para a liberdade a que aspira.
-– Jesus e Atualidade, Cap. 2.

Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, a maioria das máximas do Evangelho são ininteligíveis ou contraditórias (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IV, item 17).

Se Jesus nos ensinou a perdoar constantemente e a amar os inimigos, que será que Deus faz com os filhos que infringem Sua Lei? Dá punição cruel e definitiva? Não parece justo, e nem se assemelha ao pai exemplificado na parábola do filho pródigo (Lc 15:11-32).

Com Jesus Redivivo, entendemos a real Justiça Divina. Uma justiça que não exime a necessidade de reajuste do criminoso, porém também não agrava os problemas do desajustado. Que dá para quem cometeu alguma falta a possibilidade de fazer diferente, de reeducar-se e reparar em nova existência terrena.

Conforme coloca Joanna de Ângelis:

O melhor corretivo para quem erra é conceder-lhe a reparação.
– livro Lições para a Felicidade.

Recomeço e reparação

Ter a possibilidade de reparar o mal praticado reencarnando sucessivamente é uma benção, uma dádiva do Alto que permite o progresso do Espírito.

Toda falta cometida, todo mal realizado, é uma dívida contraída que deve ser paga. Se não o for numa existência, sê-lo-á na seguinte ou nas seguintes, porque todas as existências são solidárias umas das outras.
-– O Céu e o Inferno, cap. VII, item 9°.

O caminho para apagar os traços de uma falta e suas consequências é: o arrependimento, a expiação e a reparação. Após arrependido, quem causou algum dano expia em consequência de sua ação. Tal ocorre por meio do sofrimento físico ou moral, seja na vida espiritual, na existência presente, ou em nova existência. Esse sofrimento perdura até que ocorra um aperfeiçoamento sério, um retorno ao bem através da reparação.

(Jesus) jamais condenou a quem quer que fosse, sempre oferecendo a ocasião para reparar o prejuízo e recuperar-se diante da própria consciência, bem como da Consciência Divina.
– Jesus e Atualidade, Cap. 2.

A Lei de Deus está escrita na nossa consciência (Livro dos espíritos, q. 621). Entretanto, vamos enxergando-a de forma mais clara à medida que evoluímos e nos depuramos. Àquele que muito sabe, a consciência identifica mais facilmente as próprias infrações perante essa Lei. Porém, também por saber das possíveis consequências, tende a agir mais acertadamente.

O amor ensinado por Jesus, se não tivesse como apoio a bênção do renascimento corporal ensejando recomeço e reparação, teria um caráter de transitória preferência emocional, com a seleção dos eleitos e felizes em detrimento dos antipáticos e desditosos.
-– Jesus e Atualidade, Cap. 2.

Todos um dia seremos os bem-aventurados de quem Jesus falou no Sermão da Montanha, uns antes, outros depois. Mas não há eleitos, justamente por não haver uma só existência.

Se não existisse a reencarnação, Jesus teria um Amor parcial. Sabemos, contudo, que Ele amou a tudo e a todos com desvelo. Assim, sem preferências, abrigou a humanidade no Seu inefável afeto.

Renascer da água e do Espírito

O processo das sucessivas experiências carnais é método misericordioso do amor de Deus para o benefício de todos os Espíritos. Joanna de Ângelis nos diz que a confirmação dessa necessidade de nascer de novo se repete de forma variada. Um dos exemplos ocorre no seguinte diálogo entre Jesus e Nicodemos:

Disse-lhe Nicodemos: “Como pode nascer um homem já velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer segunda vez?”
Retorquiu-lhe Jesus: “
Em verdade, em verdade, digo-te: Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. — O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. — Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo.
-– Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IV, item 5.

diálogo entre Mestre Jesus e Nicodemos

Tal verdade mostra que o corpo físico é uma veste perecível, do qual o Espírito imperecível se utiliza. Desse modo, a cada nova experiência na matéria, uma nova roupa adequada às nossas necessidades espirituais nos é emprestada.

Nós renascemos pela água (reencarnando no corpo físico), mas tardamos o renascer pelo Espírito (evoluir moralmente). E reencarnar na Terra tem justamente a função de auxiliar no progresso moral e espiritual.

O Espiritismo, como Cristianismo Redivivo, vem propor nossa regeneração, promovendo o renascer de Jesus nos nossos corações.

Ou seja, propõe renascer constantemente de entre os escombros do “homem velho”, egoísta e orgulhoso, um “homem novo”, mais caridoso e humilde. Pois, para construir um mundo novo, regenerado, precisamos de um Homem novo.

Assim como Nicodemos, todo aquele que estivesse na presença do Cristo sentiria a necessidade de renascer, renovar-se. Tal a influência do Mestre em nossas vidas, fazendo-nos pressentir a Lei de Progresso latente na consciência.

Magnetismo impregnado

Quem O visse, jamais O olvidaria, e todo aquele que Lhe sentisse o toque amoroso, ficaria impregnado pelo Seu magnetismo para sempre.
-– Jesus e Atualidade, Cap. 2.

Do senador orgulhoso Publius Lentulus ao trabalhador humilde Eurípedes Barsanulfo. As descrições de estar por um instante com o Divino Mestre remetem ao Seu magnetismo inolvidável. Quem visse Jesus jamais contestaria Sua autoridade moral.

Saulo de Tarso que o diga. Tendo diante dos olhos o Cristo magnânimo, transformou-se moralmente, sendo o Apóstolo dos gentios. Temos também inúmeros exemplos daqueles que foram ao encontro do Cristo. O que dizer da mulher hemorroíssa? O toque na borda da roupa de Jesus foi o suficiente para curar aquela que o buscava com tamanha fé.

Todo aquele que, buscando-O ou não, acabasse sendo tocado pelo Seu Amor, sentiria o magnetismo ímpar de tal poder impregnado nas fibras mais íntimas.

É verdade que não poucos homens, que foram comensais da Sua misericórdia, aparentemente O esqueceram. Todavia, reencarnaram-se através da História, recordando-O às multidões, e ainda hoje se encontram empenhados em fazê-lO conhecido e amado.
-– Jesus e Atualidade, Cap. 2.

Publius Lentulus (Emmanuel) torna a ser exemplo aqui. Jesus mostrou bondade e misericórdia curando a filha querida do senador, Flávia. Este rejeitou acreditar na intervenção de Jesus. Conviveu e recebeu da Sua misericórdia, e aparentemente O esqueceu. Entretanto, iniciou a seguir o Mestre Jesus ao fim da mesma existência. Passou muitas encarnações a serviço de Jesus, e hoje Emmanuel nos brinda com preciosas reflexões acerca do Evangelho Redivivo.

Ninguém passou pelo Cristo sem ser tocado. As reações são individuais, umas de admiração e júbilo, outras raivosas e vingativas, porque Ele contraria os interesses mundanos de muitos. Mas o tempo é agente do progresso, e um a um seremos impregnados pelas ações no bem.

Sabemos que existe um processo de maturidade espiritual para receber e aceitar as verdades Divinas. A palavra de Jesus não alcançou muitos homens de sua época. Mas ao longo de diversas experiências reencarnatórias, o Espírito vai sendo lapidado, como a pedra bruta é lapidada para virar uma joia brilhante, no seu potencial máximo de beleza, perfeição e pureza.

Livre arbítrio

A psicoterapia que Jesus utilizava era centrada na reencarnação, por saber que o homem é o modelador do próprio destino, vivendo conforme o estabeleceu através dos atos nas experiências passadas.
-– Jesus e Atualidade, Cap. 2.

Sabemos que os fatores que programam as condições do nosso renascimento do corpo físico são o resultado dos nossos atos e pensamentos de existências anteriores.

Somos os modeladores do próprio destino através das nossas escolhas. É a Lei de Causa e Efeito na qual estamos imersos. Herdeiros de nós mesmos, podemos mobilizar nossos recursos internos presentes para modificar nosso rumo, e trilhar novos caminhos redentores. Caminhos estreitos que nos levem ao único Caminho, Verdade e Vida.

A reencarnação é a terapêutica para o resgate do Homem. O Ser vai aprendendo a se confrontar com as consequências dos atos e escolhas. Sendo chamado a assumir a responsabilidade da própria vida.

O contexto influencia, as relações influenciam, mas a decisão é nossa, única e exclusivamente. Não nos inocenta falar que reagimos por culpa do outro que agiu primeiro. Frente a qualquer situação, temos várias opções. Muitas vezes, se resumem em duas opções: reagir ou agir.

Quando reagimos, trata-se de devolver uma força com mesma direção e intensidade. Por exemplo, responder raiva com raiva, pagar o mal com a mesma moeda. Do outro lado, temos o agir, que é receber aquela força e escolher devolver uma força diferente, a do amor. É o exemplo de Jesus de “dar a outra face”, de pagar o mal com o bem.

Indubitavelmente, conforme acentua a doutrina Espírita, o homem é a síntese das suas próprias experiências, autor do seu destino, que ele elabora mediante os impositivos do determinismo e do livre-arbítrio. Esse determinismo – inevitável apenas em alguns aspectos: nascimento, morte, reencarnação – estabelece as linhas matrizes da existência corporal, propelindo o ser na direção da sua fatalidade última: a perfeição relativa.
-– Plenitude, cap. III.

Ao passo que temos o livre arbítrio das nossas ações, a reencarnação, por ser uma Lei, é um determinismo. E será necessária até que alcancemos o estado de Espíritos Puros. Mesmo neste nível, evoluiremos constantemente, rumo à perfeição relativa.

Triunfo pessoal

No planeta, cada um tem o mapa das suas lutas e dos seus serviços. O berço de todo homem é o princípio de um labirinto de tentações e de dores, intrínsecas à própria vida na Esfera terrestre. Labirinto este que é por ele mesmo traçado e que necessita palmilhar com coragem moral.

Portanto, qualquer alma tem o seu destino traçado sob o ponto de vista do trabalho e do sofrimento, e, sem paradoxos, tem de combater com o seu próprio destino, porque o homem não nasceu para ser vencido. Todo Espírito labora para dominar a matéria e triunfar dos seus impulsos inferiores.
-– Emmanuel, cap. 32.

A mudança da conduta e transformação dos sentimentos surge quando quebramos nossos velhos padrões mentais doentios. Vencemos a nós mesmos substituindo-os por padrões mentais renovados pela Lei Divina, adquirindo, assim, hábitos mais caridosos e humildes.

Renasce agora

A reencarnação de que te utilizas é concessão superior, que não podes desperdiçar. Cada momento é valioso para o teu trabalho de sublimação, de desapego, de amor puro.
-– Jesus e Atualidade, Cap. 2.

Não devemos desperdiçar essa concessão superior, essa grande oportunidade que é a reencarnação.

Abrevia os teus renascimentos agindo corretamente e servindo sem cansaço, com alegria, porqüanto, para adentrares no reino dos céus, que se estende da consciência na direção do infinito, é necessário nascer de novo, conforme Ele acentuou.
-– Jesus e Atualidade, Cap. 2.

O processo de reencarnação não é apenas quando se desencarna e renasce na Terra. A todo momento podemos passar pela autotransformação, podemos aproveitar a oportunidade que nos é dada hoje. Estamos aqui para crescer e evoluir espiritualmente. As oportunidades para isso se mostram em todos os momentos, basta ajustar o olhar.

Vamos esperar desencarnar para esperar nova oportunidade para aprender e se refazer, se podemos recuperar ainda agora, na vida atual? Sempre há tempo. Não podemos mudar o passado, mas podemos fazer um novo fim.

Aproveitemos esse talismã divino chamado tempo, conscientes do nosso objetivo maior. Abreviando, assim, as existências carnais necessárias para alcançar o reino dos céus no imo do coração.

Renasçamos nas nossas próprias consciências, nas próprias convicções, e foquemos no que é essencial para a vivência do amor. A hora é agora! Independente de para onde a gente olhe, parece que estávamos aguardando esse momento decisivo para testemunhar nossa real essência de Espíritos imortais.

Acompanhe na íntegra a palestra que inspirou esta publicação:

Acompanhe também outros artigos embasados nesta série de palestras:

Referências bibliográficas:

  • KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 125. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap.4 (Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo, item 5 e 17).
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília: FEB, 2013. Parte Terceira. Das Leis Morais. Capítulo 1 (Da Lei Divina ou natural), questão 621.
  • KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manuel Justiniano Quintão. 57ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, Cap. VII – As penas futuras segundo o Espiritismo (Código penal da vida futura, item 9°)
  • FRANCO, Divaldo Pereira. Jesus e Atualidade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 12. ed. Salvador: LEAL, 2014. 92p. (Série Psicológica – Volume 1). Cap. 2 (Jesus e Reencarnação).
  • FRANCO, Divaldo Pereira. Lições para a felicidade. Pelo Espírito de Joanna de Ângelis. 1ª edição eletrônica. USA: Leal Publisher, 2017.
  • FRANCO, Divaldo Pereira. Plenitude. Pelo Espírito de Joanna de Ângelis. 19 ed. Salvador: LEAL, 2014. (Série Psicológica, volume 3). 160p. Cap. III – Origens do Sofrimento.
  • Novo testamento. Evangelho de Lucas e de João.
  • XAVIER, Francisco Cândido. Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 1. imp. –Brasília: FEB, 2013. 208 p. (Coleção Emmanuel). Cap. 32 (dos Destinos – Homem e Destino).

* Colaborou para esta publicação: Ana Maria Beims Lopes.
** Imagem em destaque:
Josh Willink via Pexels.

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