Em palestra para a Associação Espírita Fé e Caridade, a trabalhadora espírita Ilani Nunes nos traz que o tema Lei de Amor. A Lei de Justiça, Amor e Caridade é apresentada como a décima das Leis Morais que Allan Kardec lista na parte terceira de O Livro dos Espíritos, a primeira obra da codificação espírita.

“A Lei de Amor é que sustenta o mundo, pois o amor está presente em todas as criaturas,” comenta a expositora. À medida que vamos melhorando nosso entendimento das coisas que nos rodeiam e vamos potencializndo nossos sentimentos no bem, vamos construindo dentro de nós o sentimento mais puro. Passamos a nos alimentar espiritualmente da benevolência, da indulgência e do perdão.

Lei de Amor e Evolução

Conforme nos traz o Espírito Lázaro em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o amor resume a doutrina de Jesus inteira.

[O amor] é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas.

— Lázaro, O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo XI – Amar o próximo como a si mesmo, Instrução dos Espíritos, A lei de amor.

Percebemos, portanto, que Deus colocou em cada um de nós a Centelha Divina do Seu amor. Esse amor despertamos e iluminamos, construindo dentro de nós por nossas ações no bem.

É através do amor que vamos caminhar para frente, que vamos nos fortalecendo a cada reencarnação, a partir do esforço que estivermos fazendo. “Que o amor de Deus que habita em nós possa nos conduzir para a paz, para a harmonia, para o sentimento de esperança que permite ajudar nossos irmãos de caminhada,” convida Ilani. 

Lei de Amor e Fraternidade

Haverá o dia em que iremos amar todos os irmãos que habitam o planeta, a humanidade inteira. Esse é um esforço individual, e cada um alcançará este nível de amor a seu tempo. 

Conforme adianta o Espírito Fénelon, também em O Evangelho Segundo o Espiritismo:

Nos mundos superiores, o amor recíproco é que harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os habitam, e o vosso planeta, destinado a um progresso em breve, pela sua transformação social, verá praticada por seus habitantes esta sublime lei, reflexo da Divindade.
Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração humano; ao amor verdadeiro, ele, a seu mau grado, cede. É um ímã a que não lhe é possível resistir. O contacto desse amor vivifica e fecunda os germens dessa virtude que está em vossos corações em estado latente. A Terra, orbe de provação e de exílio, será então purificada por esse fogo sagrado e verá praticada a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício, virtudes todas filhas do amor.

— Fénelon, O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo XI – Amar o próximo como a si mesmo, Instrução dos Espíritos, A lei de amor.

Precisamos ouvir nosso coração, saber que sempre tem alguém acima de nós com mais condições e capacidades para nos ajudar. E saber que há também irmãos que estão caminhando ao nosso lado ou um pouco atrás de nós que precisamos compreender. O que não podemos é querer estar acima daquele que já avançou e maltratar aquele que está atrás. “Ao nos ajudarmos, caminhamos adiante,” esclarece Ilani.

Lei de Amor e Caridade

Conforme nos instrui o Espírito São Vicente de Paulo, em O Livro dos Espíritos:

Sede, pois, caridosos, praticando não só a caridade que vos faz dar friamente o óbolo que tirais do bolso ao que vo-lo ousa pedir, mas a que vos leve ao encontro das misérias ocultas. Sede indulgentes com os defeitos dos vossos semelhantes. Em vez de votardes desprezo à ignorância e ao vício, instruí os ignorantes e moralizai os viciados. Sede brandos e benevolentes para com tudo o que vos seja inferior. Sede-o para com os seres mais ínfimos da criação e tereis obedecido à lei de Deus.
— São Vicente de Paulo, O Livro dos Espíritos, questão 888a.

É muito importante refletir sobre a necessidade da indulgência para com os que erram conosco. Será que não temos também erros em nós? Gostamos de ter perdoados os erros que cometemos? Assim, devemos portanto perdoar os erros dos outros também. 

O mesmo pensamento vale para orientar nossas ações no bem e na caridade, conforme nos clama a espiritualidade em resposta à questão 888 de O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec questiona sobre a esmola.

Uma sociedade que se baseia na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco, sem que haja para ele humilhação. Deve assegurar a existência dos que não podem trabalhar, sem lhes deixar a vida à mercê do acaso e da boa-vontade de alguns.
— O Livro dos Espíritos, questão 888.

Deus é Amor

Para inspirar as reflexões sobre a Lei de Amor, leiamos dois poemas de Auta de Souza, psicografados por Francisco Candido Xavier.

DEDUÇÕES DO AMOR
Todo amor é Deus na vida
A criá-la e engrandecê-la,
Desde a penúria do charco
À luz divina da estrela.
— Auta de Souza, na psicografia de Francisco Canido Xavier (do livro Auta de Souza, a gentil mensageira do Amor).

DEUS É AMOR
Sem Deus nas forças do afeto
De que Deus possa dispor
O tempo aparece e arrasa
Qualquer espécie de amor
— Auta de Souza, na psicografia de Francisco Canido Xavier (do livro Auta de Souza, a gentil mensageira do Amor).

Assista agora a palestra que inspirou esta publicação:

*Colaborou para esta publicação: Ilani Nunes.
**Imagem em destaque: pexels.com

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