Nos dias atuais passamos por muitos desafios e algumas vezes nos deparamos com males físicos, mas também da alma. Em palestra à Associação Espírita Fé e Caridade, Rosana Sarmento cita a obra Pão Nosso de Francisco Candido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, em seu capítulo 113 intitulado “Tua fé”.

É importante observar que o Divino Mestre, após o benefício dispensado, sempre se reporta ao prodígio da fé, patrimônio sublime daqueles que o procura.
Diversas vezes, ouvimo-lo na expressiva afirmação: – A tua fé te salvou. Doentes do corpo e da alma, depois do alívio ou da cura, escutam a frase generosa. É que a vontade e a confiança do homem são poderosos fatores no desenvolvimento e iluminação da vida.
— Emmanuel no livro Pão Nosso, capítulo 113.

Podemos perceber que existe uma dupla força que pode nos levar à fé: a divina e a humana.

E continua:

O navegante sem rumo e que em nada confia, somente poderá atingir algum porto em virtude do jogo das forças sobre as quais se equilibra, desconhecendo, porém, de maneira absoluta, o que lhe possa ocorrer.
O enfermo, descrente da ação de todos os remédios, é o primeiro a trabalhar contra a própria segurança. O homem que se mostra desalentado em todas as coisas, não deverá aguardar a cooperação útil de coisa alguma.
As almas vazias embalde reclamam o quinhão de felicidade que o mundo lhes deve. As negações em que perambulam transformam-nas, perante a vida, em zonas de amortecimento, quais isoladores em eletricidade. Passa corrente vitalizante, mas permanecem insensíveis.
Nos empreendimentos e necessidades de teu caminho, não te isoles nas posições negativas.
Jesus pode tudo, teus amigos verdadeiros farão o possível por ti; contudo, nem o Mestre e nem os companheiros realizarão em sentido integral a felicidade que ambicionas, sem o concurso de tua fé, porque também tu és filho do mesmo Deus, com as mesmas possibilidades de elevação.
— Emmanuel, no livro Pão Nosso, capítulo 113.

Podemos comparar a fé a um patrimônio sublime, uma vez que não podemos adquirir tal qual adquirimos um bem material. A fé está em nós, ela é inata, já encarnamos com ela na condição latente. Precisamos apenas que nos esforcemos para acessá-la. 

O texto descreve também alguns casos de como é para acessar a fé quando temos dificuldades, a exemplo do navegante incrédulo que em nada confia, do enfermo descrente da ação dos remédios, as almas vazias que clamam pela felicidade. 

São exemplos que destacam a fé em nós, não a fé de Cristo. 

E como nós destacamos a nossa fé? Muitas vezes somente da boca pra fora porque não sentimos ela dentro de nós. Apesar de ela estar lá, ainda não conseguimos acessar.

Importante saber que não podemos nos isolar em posições e pensamentos negativos, porque se nós somos seres de energia, se nós sintonizamos nossos pensamentos com estes comportamentos negativos, pesados, cansados, é somente isso que conseguiremos atrair, seja pessoas, sentimentos, ou situações também negativas. Um peso que nos puxa para recuar e não avançar ao encontro da nossa fé.

Nem o mestre Jesus e os companheiros nos permitirão alcançar a felicidade que desejamos se não acionarmos o “botãozinho” da fé.

Por mais que tenhamos ao nosso lado amigos e parentes com palavras de apoio para nos fortalecer, se nós não nos dispormos a fazer parte desse pensamento positivo que eles estão emanando, fica difícil alcançarmos o que desejamos, pois muito depende de nós. Depende do nosso autocuidado, olhar para si, para dentro. O que você traz dentro de você? Quais seus sentimentos?

Principalmente nos dias de hoje, tantos desafios nos quais somos colocados à prova diariamente. Com a pandemia precisamos ficar isolados fisicamente e consequentemente nossos pensamentos de tristeza, medo, angústia vieram à tona.

E o que podemos fazer para não deixar esmorecer? Isto tem relação com a fé, com amor-próprio, com livre arbítrio. 

Como estamos utilizando a nossa criatividade para viver um dia de cada vez? 

Às vezes fisicamente estamos afastados, passamos o dia todo sem falar com alguém, mas espiritualmente estamos sendo bem amparados. Nosso anjo da guarda está sempre presente.

Poder da fé

Vemos no evangelho de Mateus o seguinte relato:

Quando ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos a seus pés, disse: Senhor, tem piedade do meu filho, que é lunático e sofre muito, pois cai muitas vezes no fogo e muitas vezes na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar. Jesus respondeu, dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui esse menino. – E tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são. Os discípulos vieram então ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio? – Respondeu-lhes Jesus: Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível.
— Mateus, 17: 14 a 20.

Muitas vezes, confiar em nossas próprias forças nos demanda não duvidar de nós mesmos. A intenção é despertar nossa consciência moral.

E o que é transportar montanhas? Que montanhas são essas?

Essas montanhas de que Jesus fala são as nossas dificuldades, as nossas resistências, a má vontade, o egoísmo, as nossas paixões orgulhosas, os nossos preconceitos, o interesse material e até a cegueira que pode nos levar ao fanatismo. Estas são as montanhas no sentido figurado.

A fé não se prescreve como uma receita e não se recomenda como um conselho.

Se nós conseguirmos nos conectar com a nossa fé, que vem de dentro de nós, conseguimos nos superar.

A fé Mãe

A fé, para ser proveitosa, deve ser ativa; não deve entorpecer-se. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus, deve velar atentamente pelo desenvolvimento da filhas que dela nascem.

A fé nos cura desde que nos abramos para ir ao encontro dela.

A fé é a mãe da esperança e da caridade.

Acompanhe na íntegra a palestra que inspirou esta publicação:

*Colaborou para esta publicação: Débora Hemkemeier
**Imagem em destaque: pexels.com

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