Em palestra para Associação Espírita Fé e Caridade, o expositor Pedro Paulo Cunha trouxe a visão da Doutrina Espírita sobre a Gratidão.

Nunca houve um momento em que a gratidão estivesse tão presente como nos dias de hoje. Como colocado pelo expositor Pedro Paulo, a palavra gratidão tem sido uma das mais escutadas por nós. Com a velocidade das redes sociais, ela chega a nós através de mensagens, textos e frases que soam bem, algo que acalenta nossas almas em dias de tamanhas provas que passamos em nosso planeta-escola.

Há pessoas sem gratidão?

A gratidão é sentimento que todos temos o potencial de sentir, mas que não devemos esperar do outro. Segundo o palestrante, há vezes que nos iludimos pensando ser vítimas de ingratidão. Pedro Paulo nos alerta para a forma como interpretamos as situações e nossas expectativas.

Praticar a caridade na expectativa do reconhecimento, seja de quem recebeu o ato de bondade ou do grupo social é vaidade. Praticar a caridade esperando do outro uma mão amiga quando nós mesmos estivermos em dificuldade chama-se jogo de interesse.

Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem.
— O Evangelho Segundo o Espiritismo, capitulo 18 item 19.

A gratidão como estado de espírito

Ser grato parece muito simples. Não demanda cursos, estudo ou investimento material. Mas é algo desenvolvido a partir do exercício. Ser grato é um estado de espírito e não deve fazer referência somente aos fatos positivos, mas a tudo que está presente em nossa vida, sem julgamento.

Quando a gratidão atinge seu nível máximo ela gera um estado de bem-estar que transforma as relações entre as pessoas, aproximando-as do amor sublime. Por isso gratidão vai muito além dos “muito obrigado”.

A gratidão é o sentimento que desencadeia o reconhecimento da necessidade da nossa reforma íntima, nossa mudança interior. Ela nos proporciona uma posição de aceitação frente às dificuldades.

A gratidão, além do bem-estar que produz, faz com que o indivíduo passe a perceber o seu próximo com o sentimento do amor. Quando alguém te faz um bem, agradeça e faça, então, o bem a outrem. A gratidão é generosa.
— Divaldo Franco.

A gratidão é transformadora de relações. Todas as vezes que servimos a um semelhante, a um animal, a uma planta, estamos servindo a Deus. Porque Deus se manifesta ao homem através do próprio homem e de Sua criação.

Quando fazemos o bem, quase sempre estamos semeando para o futuro, cujos frutos aparecerão em momentos oportunos. O agradecimento a um benefício prestado por alguém eleva nosso crescimento em virtudes. A gratidão pode ser expressa por uma simples prece, que repercutirá em prol do benfeitor e de nós próprios.

Sejamos gratos a tudo que nos cerca: ao sol que brilha, à chuva que cai e faz brotar da terra a comida que nos alimenta. E sobretudo sejamos gratos aos males que nos fazem: são estes que nos auxiliam em nossa caminhada e em nosso desenvolvimento, pois nos dão a oportunidade de avaliar e perdoar o próximo.

Aprendamos a nos libertar das mazelas que nos tiram do caminho, exercitemos o perdão, a benevolência, a compreensão e o amor. Conforme aprendemos em O Evangelho Segundo Espiritismo:

O homem facilmente esquece o bem, para, de preferência, lembrar-se do que o aflige. Se registrássemos, dia a dia, os benefícios de que somos objeto, sem os havermos pedido, ficaríamos, com freqüência, espantados de termos recebido tantos e tantos que se nos varreram da memória, e nos sentiríamos humilhados com a nossa ingratidão. Todas as noites, ao elevarmos a Deus a nossa alma, devemos recordar em nosso íntimo os favores que Ele nos fez durante o dia e agradecer-lhos.
— O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 28, item 28.

Ao praticar a gratidão nos veremos agradecendo mais e reclamando menos. Faz bem à nossa saúde integral cultivar a alegria, nos sentir mais em sintonia com o plano superior da vida. A vida é um presente a todos nós por mais dolorida que ela se apresente. Oremos sempre, a oração conforta, acalma, ao contrário da reclamação que nada irá resolver.

O palestrante nos convida a lembrar do ensinamento do apóstolo Paulo: “Em tudo dai graças…” (1 Tessalonicenses 5:18).

E, ainda, temos a nos inspirar o inesquecível Poema da Gratidão, por Amélia Rodrigues, pela psicografia de Divaldo Franco. Em seus versos, Amélia nos convida a uma nova forma de sentir e viver a vida.

Obrigado, Senhor, pelo meu lar, o recanto de paz ou escola de amor, a mansão da glória… Obrigado, Senhor, pelo amor que eu tenho e pelo lar que é meu… Mas, se eu sequer nem um lar tiver ou teto amigo para me aconchegar nem outro abrigo para me confortar…
Se eu não possuir nada, senão as estradas e as estrelas do céu, como leito de repouso e o suave lençol, e ao meu lado ninguém existir, vivendo e chorando sozinho ao léu sem alguém para me consolar…
Direi ainda: Obrigado, Senhor porque Te amo e sei que me amas, porque me deste a vida jovial, alegre, por Teu amor favorecida… Obrigado, Senhor, porque nasci… Obrigado porque creio em Ti e porque me socorres com amor, hoje e sempre, obrigado, Senhor!
— do Livro Sol de Esperança.

Acompanhe agora a palestra que inspirou esta publicação:


* Colaborou para esta publicação: Magda do Carmo Gonçalves.
** Imagem em destaque:
Shihab Nymur via Pexels.

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