Contribuir

O convite é para que possamos contribuir, a todo momento e em todo campo. Bem como nos preservar exercitando a alegria, afastando o vírus da reclamação.

A palestra transmitida pelos canais digitais da Associação Espírita Fé e Caridade se baseia em mensagem “Contribuir”, do espírito Emmanuel, psicografada por Francisco Cândido Xavier e publicada no livro Pão Nosso, capítulo 58. Vamos acompanhar em seguida a mensagem, em variados trechos.

Trata-se de uma interpretação ao versículo 7 do capítulo 9 da segunda carta de Paulo aos cristãos residentes na cidade grega de Corinto, em que diz o apóstolo dos gentios:

Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.

— II Coríntios 9:7.

Por vezes ouvimos: “eu não faço o mal e isso já é muito bom!” Sim, não praticar o mal é algo muito positivo. Mas não é suficiente. Como vemos em O Livro dos Espíritos:

642. Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?
Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.

— O Livro dos Espíritos.

E quando falamos em fazer o bem logo pensamos na contribuição material, que é fundamental. Mas é apenas uma de tantas formas de contribuição que podemos tomar parte em nossa jornada enquanto espíritos em evolução.

Muitas formas de contribuir

Emmanuel nos chama a atenção para a profundidade dessa abrangente contribuição logo no início da mensagem.

Quando se divulgou a afirmativa de Paulo de que Deus ama o que dá com alegria, muita gente apenas lembrou a esmola material.
(…) A cooperação no bem é questão palpitante de todo lugar e de todo dia.
Qualquer homem é suscetível de fornecê-la.

— Emmanuel, no livro Pão Nosso, por Francisco Candido Xavier.

Contribuímos com o bem em nossas atividades do dia a dia, nossa rotina e nosso trabalho. Há pessoa que contribuem sem parar, a vida toda.

Recentemente veio a público a história de uma senhora de 101 anos que renovou seu contrato de trabalho por mais três anos. Hazel McCallion renovou contrato de trabalho até 2025 e vai atuar como diretora no Conselho de Administração da Autoridade dos Aeroportos da Grande Toronto (Canadá). Hazel foi prefeita da cidade de Mississauga, tendo completado o mandato em 2014, com 93 anos.

Divaldo Franco nos fala em uma mensagem belíssima sobre uma voz, um conselho, que todos ouvimos antes de reencarnar: 

O primeiro local de contribuição

A ocupação, nosso trabalho, é forma muito importante de contribuição. Mas não é a única… nem a primeira. Qual a primeira arena de contribuição em que nos reunimos? A família. Em todos os espaços que nos colocamos podemos identificar formas de contribuir, e a família é um desses lugares.

(…) o berço de onde se renova a experiência, a família em que acrisolamos as conquistas de virtude, o vizinho, nosso irmão em humanidade, e a oficina de trabalho, que nos assinala o aproveitamento individual, no esforço de cada dia.

— Emmanuel, no livro Pão Nosso, por Francisco Candido Xavier.

Fazer é fundamental. Aos olhos de Deus, como fazemos é igualmente importante.

Há alguns meses comentamos aqui sobre a passagem trazida no evangelho em que Jesus encontra-se na casa das irmãs Marta e Maria.

Marta está às voltas com afazeres da casa e pede que Jesus chame a atenção da irmã Maria que se ocupa apenas em ouvir o mestre. Jesus gentilmente chama a atenção de Marta e vimos juntos aqui que ele não o faz por diminuir a importância da função da qual ela se encarrega, mas chama a atenção dela para a qualidade e a intenção que ela coloca naquele serviço.

Então compreendemos que servir, contribuir, cooperar é fundamental. Assim como nossa intenção, a forma como contribuímos é relevante. E como saber se estamos no caminho?

Na mensagem de Emmanuel vemos esse caminho para o entendimento. 

Sobrevindo o momento de repouso diuturno, cada coração pode interrogar a si próprio, quanto à qualidade de sua colaboração no serviço, nas palestras, nas relações afetivas, nessa ou naquela preocupação da vida comum.

— Emmanuel, no livro Pão Nosso, por Francisco Candido Xavier.

Podemos e devemos nos questionar sobre a qualidade de nossas contribuições, como nos orienta santo Agostinho na questão 919a de O Livro dos Espíritos.

Fazei o que eu fazia da minha vida sobre a Terra: ao fim da jornada, eu interrogava minha consciência, passava em revista o que fizera, e me perguntava se não faltara algum dever, se ninguém tinha nada a se lamentar de mim. Aquele que cada noite lembrasse todas as ações da jornada e perguntasse o que fez de bem ou de mal, pedindo a Deus e ao anjo Guardião para esclarecer, adquiriria uma grande força para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Questionai, portanto, e perguntai-vos o que fizestes e com o qual objetivo agistes em tal circunstância; se fizestes alguma coisa que censurais em outrem; se fizeste uma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai-vos ainda isto: se aprouvesse a Deus que me chamar neste momento, reentrando no mundo dos espíritos, onde nada é oculto, eu teria o que temer diante de alguém? Examinai o que podeis ter feito contra Deus, contra o vosso próximo, e enfim, contra vós mesmos. As respostas serão um repouso para vossa consciência ou a indicação de um mal que é preciso curar.
— Santo Agostinho, em O Livro dos Espíritos, questão 919a.

Os riscos de quem contribui

Emmanuel nos chama atenção também para os riscos que ocorrem quando estamos no campo do bem, da cooperação, da contribuição.

Tenhamos cuidado contra as tristezas e sombras esterilizadoras. Má-vontade, queixas, insatisfação, leviandades, não integram o quadro dos trabalhos que o Senhor espera de nossas atividades no mundo. Mobilizemos nossos recursos com otimismo e não nos esqueçamos de que o Pai ama o filho que contribui com alegria.

— Emmanuel, no livro Pão Nosso, por Francisco Candido Xavier.

Contribuir faz parte da Lei Natural, é o que Deus espera de todos nós. Todos podem contribuir, onde estiver e em absolutamente todos os campos. A forma como contribuímos, nossa intenção conta muito.

Saibamos trazer soluções antes das reclamações. Antes de abrirmos uma reclamação, podemos pensar: “O que eu posso fazer pra melhorar essa situação? Como eu posso contribuir de verdade?”.

O convite é para que possamos contribuir, a todo momento e todo campo, e nos preservar exercitando a alegria, afastando o vírus da reclamação.

Acompanhe agora a palestra, na íntegra:

*Imagem em destaque via pexels.com.

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