Em palestra gravada na Associação Espírita Fé e Caridade, a trabalhadora da casa Julia Fertig trouxe uma reflexão sobre a vida e ensinamentos de Maria de Magdala.

Quem foi Maria de Magdala?

É muito provável que você a conheça como uma prostituta ou uma mulher pecadora, até porque foi assim que ela foi retratada durante muitos séculos.

A propósito, Maria de Magdala é Maria Madalena. O nome “Madalena” na realidade é um adjetivo que a descreve como sendo natural de Magdala, cidade localizada na costa ocidental do Mar da Galileia.

A primeira vez que Maria Madalena é citada nas escrituras bíblicas é quando Jesus está empreendendo sua viagem pela Galiléia e algumas mulheres chegam até ele para serem curadas. Uma delas é Maria Madalena, de quem saem sete demônios, como escreve o discípulo Lucas.

E sucedeu, depois disso, que ele percorria cada cidade e aldeia proclamando e evangelizando o Reino de Deus; os doze {estavam} com ele, e algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e enfermidades: Maria, chamada Magdalena, da qual saíram sete daimones;
— Lucas 8:1-2. Tradução de Haroldo Dutra Dias.

Após ser tratada, ela decide acompanhar Jesus e seus apóstolos ajudando-os. Seguiu Jesus em muitas de suas peregrinações, estando presente nos momentos dolorosos da crucificação, em companhia de outras mulheres, e também no sublime instante da ressurreição do Senhor.

Encontramos no capítulo 20 da obra Boa Nova, psicografada por Francisco Candido Xavier e ditada pelo espírito Humberto de Campos, os esclarecimentos nesse sentido.

Maria de Magdala após o encontro com Jesus

Submeteu-se a todo tipo de infortúnio, demonstrando-se fiel servidora do Cristo, sem jamais desfalecer ou reclamar de algo. Vivendo junto aos portadores de hanseníase, cuidando deles, foi contaminada pelo agente infeccioso, responsável pela doença. A morte do corpo a alcançou num momento em que a enfermidade se espalhava, inflexível, por todo o seu organismo, cobrindo-o de pústulas e lesões deformantes. Entretanto, o seu Espírito estava em paz, ela conseguira passar pela porta estreita e alcançara a glória da felicidade verdadeira.

Maria de Magdala representa aqueles que cometem equívocos graves em sua marcha evolutiva, mas que conseguem, ao toque do amor de Cristo, reajustar-se perante a Lei de Deus e voltar-se, definitivamente, para o bem.

“Brilhe a vossa luz”, disse o Mestre.

Acenda, cada aprendiz do Evangelho, a lâmpada do coração.

Emmanuel, sobre Maria de Magdala

De várias obras de Emmanuel, também pela psicografia de Francisco Candido Xavier, conseguimos ler inspirações a cerca desse Espírito notável.

Dos fatos mais significativos do Evangelho, a primeira visita de Jesus, na ressurreição, é daqueles que convidam à meditação substanciosa e acurada.
Por que razões profundas deixaria o Divino Mestre tantas figuras mais próximas de sua vida para surgir aos olhos de Madalena, em primeiro lugar?
Somos naturalmente compelidos a indagar por que não teria aparecido, antes, ao coração abnegado e amoroso que lhe servira de Mãe ou aos discípulos amados… Entretanto, o gesto de Jesus é profundamente simbólico em sua essência divina.
Dentre os vultos da Boa Nova, ninguém fez tanta violência a si mesmo, para seguir o Salvador, como a inesquecível obsidiada de Magdala. Nem mesmo “morta” nas sensações que operam a paralisia da alma; entretanto, bastou o encontro com o Cristo para abandonar tudo e seguir-lhe os passos, fiel até ao fim, nos atos de negação de si própria e na firme resolução de tomar a cruz que lhe competia no calvário redentor de sua existência angustiosa.
É compreensível que muitos estudantes investiguem a razão pela qual não apareceu o Mestre, primeiramente, a Pedro ou a João, à sua Mãe ou aos amigos. Todavia, é igualmente razoável reconhecermos que, com o seu gesto inesquecível, Jesus ratificou a lição de que a sua doutrina será, para todos os aprendizes e seguidores, o código de ouro das vidas transformadas para a glória do bem. E ninguém, como Maria de Magdala, houvera transformado a sua, à luz do Evangelho redentor.
— do livro Caminho, Verdade e Vida, capítulo 92.

Jesus chorou no Horto, quando sozinho, mas, em Jerusalém, sob o peso da cruz, roga às mulheres generosas que O amparavam a cessação das lágrimas angustiosas. Na alvorada da Ressurreição, pede a Madalena esclareça o motivo de seu pranto, junto ao sepulcro. A lição é significativa para todo aprendiz.
Se um ente amado permanece mais tempo sob a tempestade necessária, não te entregues a desesperos inúteis. A queixa não soluciona problemas. Ao invés de magoá-lo com soluços, aproxima-te dele e estende-lhe as mãos.
— do livro Pão Nosso, capítulo 119.

Para muitos, Maria de Magdala era a mulher obsidiada e inconveniente; mas para ele surgiu como sendo um formoso coração feminino, atribulado por indizíveis angústias, que, compreendido e amparado, lhe espalharia no mundo o sol da ressurreição. (…) Observemos amando, porque apenas o amor puro arrancará por fim as escamas de treva dos nossos olhos para que os outros nos apareçam na Benção de Deus que, invariavelmente, trazem consigo.
— da revista Reformador, maio 1958, página 98.

Em Maria de Magdala não enxerga a mulher possuída pelos gênios da sombra, mas sim a irmã sofredora, e, por esse motivo, restaura-lhe a dignidade própria, nela plasmando a beleza espiritual renovada que lhe transmitiria, mas tarde, a mensagem divina da ressurreção eterna.(…) Busquemos algo do olhar de Jesus para nossos olhos e a crítica será definitivamente banida do mundo de nossas consciências, porque, então, teremos atingido o grande Entendimento que nos fará discernir em cada ser do caminho, ainda mesmo quando nos mais inquietantes espinheiros do mal, um irmão nosso, necessitado, antes de tudo, de nosso auxílio e de nossa compaixão.
— da revista Reformador, janeiro 1956, página 6.

O que podemos aprender com a vida de Maria de Magdala

Como agimos quando alguém erra?

Como agimos quando nós erramos?

O que importa não é o que fomos, mas sim o que nos tornamos.

Que possamos ser como Maria de Magdala, compartilhar com os outros, o triunfo da vida sobre a morte.

Que, a exemplo de Magdala, abracemos nossa condição de renunciar ao mundo inteiro (interno) e lembrar a Boa Nova: Cristo vive, e é somente por Ele que temos acesso ao Pai e um caminho seguro à vida eterna. Sou o caminho, verdade e vida.

Não aguardes o futuro para descerrar os olhos à própria ressurreição.

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*Colaborou para esta publicação: Larissa Martins.

**Imagem em destaque: Pexels.com

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