Há muitas pessoas que antes de começar a frequentar uma casa espírita imaginam ser este um lugar repleto de fenômenos e visões. Já quem passa a frequentar as palestras doutrinárias, grupos de estudo ou busca tratamentos espirituais percebe que o cenário do sobrenatural não condiz com a realidade. Há muito mais amparo, ciência e estudo do que fenomenologia na Doutrina Espírita. 

Mas é preciso considerar que no início da codificação do espiritismo, os fenômenos de comunicabilidade dos espíritos foram de suma importância para a divulgação da nova doutrina. Em palestra na Associação Espírita Fé e Caridade, o trabalhador espírita Marco César Kruger nos trouxe um bom resumo sobre a comunicabilidade dos espíritos, como era há quase duzentos anos e como ocorre atualmente. 

Faremos neste texto um resumo da palestra com um pequeno passeio pelo assunto, englobando os primeiros fenômenos observados, e como essa comunicação ocorre.

Uma volta ao passado

Em 1847, em Hydesville-NY, nos Estados Unidos, uma família se muda para uma casa, e a partir de 1848, a família começa a experimentar fenômenos, com barulhos de batidas e mobiliário se movendo. As filhas do casal, Margareth, Catherine e Leah resolvem tentar descobrir a fonte dos barulhos, e um dia resolvem questionar se era um espírito que estaria fazendo os sons. Tiveram resposta positiva através de um som. A partir de então, iniciariam um modo de se comunicar com o espírito, através de números de batidas para sim ou não e de batidas ao se atingir a letra do alfabeto desejada, para formação de respostas mais extensas. 

Ao longo dos anos, as irmãs ficaram famosas pelos fenômenos, e chegaram a fazer apresentações dos fenômenos. Muitas pessoas na época tentaram e conseguiram desacreditar as irmãs, que morreram à míngua. 

Pouco tempo depois, em Paris, 1855, o distinto professor Hippoliyte Léon Denizard Rivail tomou conhecimento de “fenômenos estranhos” que estavam ganhando fama a cidade. Em vez de pancadas nas paredes, pancadas nas mesas e mesas que giravam, aparentemente sem mecanismos. Os fenômenos começaram a ser investigados, “com os rigores da ciência” da época, e os espíritos se identificaram logo após. A partir daí, o professor Rivail passou a usar o nome de uma encarnação passada, em que foi um druida. O nome: Alan Kardec. A partir daí, iniciou-se a doutrina que hoje conhecemos e difundimos como espiritismo. FONTE

Mas, saindo um pouco de fatos históricos….

Como se dá a comunicação com os espíritos?

A comunicabilidade pode se dar de duas formas básicas: enquanto dormimos, ou através de um médium. A primeira acontece diariamente durante o sono, e nos libertamos momentaneamente do corpo físico para nos comunicarmos.

A segunda, através de médiuns, podem ser ocultas ou ostensivas sendo os médiuns considerados intermediários entre os espíritos e os encarnados. É uma missão que deve ser desenvolvida através de exercício, e o médium precisa ter cuidado com sua moral, pois os espíritos que podem se aproximar são atraídos em razão de sua simpatia pela natureza moral que os evoca.

Na Bíblia, muitos foram os exemplos de comunicabilidade, através dos chamados santos e profetas, mostrando assim que o diálogo sempre se deu, e que a Doutrina veio para desmistificar e explicar várias destas passagens.

Tipos de comunicação com os espíritos

Muitas são as formas pelas quais os espíritos podem se comunicar, sendo as principais comunicações divididas assim:

  1. Efeitos físicos: são aqueles pelos quais os espíritos se comunicam através de efeitos sensíveis, tais como ruídos, movimentos e deslocação de corpos, dentre outros; são as mais conhecidas, e as que mais chamam atenção dos curiosos.
  2. Efeitos intelectuais: é o meio pelo qual o espírito do médium é o intérprete. Exige maior trabalho mental por parte do médium, e há necessidade de simpatização entre o espírito e o médium.

Allan Kardec, na sua codificação e sistematização, registrou o seguinte:

A mediunidade tem sido para o mundo espiritual o que o telescópio foi para o mundo espacial e o microscópio para o dos seres infinitamente pequenos; ela permitiu explorar, estudar e — por assim dizer, de visu — suas relações com o mundo corporal; permitiu separar no homem vivo o ser inteligente do ser material, e lhes observar agir separadamente. Uma vez em interação com os habitantes desse mundo, tornou-se possível seguir a alma na sua marcha ascendente, em suas migrações, em suas transformações; pudemos, enfim, estudar o elemento espiritual.
— do livro A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo, Allan Kardec – cap. IV, item 16.

“O telefone só toca de lá para cá”

Na obra O Céu e o Inferno, no capítulo XI, intitulado “É proibido evocar os mortos?”, Allan Kardec fala sobre a questão de comunicação com os espíritos através da óptica das comunicações apregoadas pelas mais diversas religiões, além de mostrar o perigo de se acreditar em adivinhos, “mágicos” e outras pessoas que dizem consultar o lado espiritual. A comunicação deve se dar em ambiente regido por espíritos e médiuns sérios, que farão comunicações edificantes e sérias.

Não se pode deixar de dizer que a prática mediúnica se fundamenta em certos critérios, tais como:

  • Justa utilidade: por exemplo, meio de instrução e de solidariedade entre entes queridos, não admitindo como pretexto uma mera curiosidade ou divertimento fenomenológico;
  • Bem comum: a interação espiritual deve procurar se pautar sobre os princípios do respeito mútuo e da benevolência para com todos;
  • Desinteresse particular: na Doutrina Espírita, o serviço mediúnico é sempre gratuito e o bom médium espírita é aquele que nada procura por recompensa senão a satisfação de ser útil à seara divina, ciente que esse desprendimento representa a mais eloquente prova da veracidade das manifestações espirituais diante dos incrédulos, porque não é lógico admitir a persistência de uma fraude sem algum interesse.

Mostrando novamente a indissociabilidade entre ciência e espiritualidade, os fenômenos de comunicação com os espíritos já foram alvo de diversas teses da psiquiatria moderna, e a obsessão espiritual já é aceita pela medicina como uma entidade, inclusive possuindo seu próprio CID (Código Internacional de Doenças). É a evolução da ciência mostrando que a cada dia, teremos a espiritualidade e religião lado a lado com as mais recentes descobertas.

Concluindo…

Muitos dos que começam a frequentar a Casa Espírita vem por questões de perdas, muitos querendo um contato com seu ente querido já desencarnado, sendo alvo fácil de pessoas que não tem seriedade ao lidar com a Doutrina Consoladora. Cabe a nós, estudiosos e seguidores da Doutrina, desmistificar a questão da comunicação entre o nosso mundo e o Mundo Verdadeiro, mostrando, com doçura e paciência, que os fenômenos de comunicação são apenas uma gota no oceano de maravilhas que o Espiritismo trouxe a este plano, e que, um dia, em uma existência mais elevada, estas barreiras de comunicação serão deixadas para trás, sempre com a ajuda da Espiritualidade, e de nosso Amigo e Mestre Jesus.

Referências:

  1. Jornal Folha Espírita. Edição: 10. Ano: 1995
  2. Apresentação da Federação Espírita Brasileira (FEB) intitulada “Comunicabilidade dos Espíritos). Disponível em: https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2013/05/Roteiro-24-Comunicabilidade-dos-Espiritos.pdf
  3. Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, tradução de Evandro Noleto Bezerra
  4. Allan Kardec, “O Céu e o Inferno”, tradução de Evandro Noleto Bezerra
  5. Allan Kardec, “O Livro dos Médiuns”, tradução de Evandro Noleto Bezerra
  6. Allan Kardec, “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”.

Acompanhe agora a íntegra da palestra que inspirou esta publicação:

*Colaborou para esta publicação: Ana Carolina Rodrigues.
**Imagem em destaque via Pexels.com.

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