Vigiar e orar não são movimentos que exigem muita energia física, são movimentações internas, que não podem ser realizadas passivamente. Existe a necessidade de mover forças mentais e emocionais e exige de nós uma vontade de querer fazer aquilo. Esse foi o tema da palestra de Larissa Martins nos canais digitais da Associação Espírita Fé e Caridade.

Vejamos o que nos diz o dicionário online sobre o significado de vigiar e orar: 

Vigiar é uma ação. Observar com atenção. Estar atento a. Fazer fiscalização de controlar. Verificar. Permanecer atento, alerta ou desperto. Ficar de sentinela.

Orar é uma ação. Pedir com insistência e humildade. Implorar. Rogar. Suplicar.

Quando Jesus nos disse que era para vigiarmos e orarmos, não foi para que essas ações fossem voltadas ao outro, mas sim para olharmos para dentro de nós mesmos.

4 atitudes para vigiar e orar

Para nos ajudar a vigiar e a orar podemos tomar quatro atitudes.

  1. Lembrando a fala de Jesus: “conheça-se a si mesmo”, primeiramente devemos desenvolver o autoconhecimento. Assim, a partir de uma situação vivida por nós, é importante que analisemos as nossas atitudes e nossos pensamentos. É importante observar o que temos para melhorar e aprendermos a evitar situações que nos levem a agir de forma contrária aos ensinamentos de Jesus. Também devemos perceber o que temos de bom dentro de nós mesmos e valorizar essas qualidades.
  2. Além do autoconhecimento podemos reconhecer as nossas afinidades. Elas podem nos ajudar a nos conhecermos melhor se observarmos de qual tipo de filmes, de músicas, de amigos ou de conversas que gostamos. Isso porque podemos gostar de algo que não trás benefícios ao nosso desenvolvimento espiritual e, ao observarmos nossas afinidades, temos indicativos da qualidade das nossas escolhas diárias.
  3. Outro princípio que pode nos ajudar é a lei do livre arbítrio, que nos permite escolher alimentar situações e tendências boas ou ruins em nossas vidas. E para fazermos escolhas conscientemente precisamos vigiar. A vigilância vai nos dar instrumentos para reconhecermos no que precisamos melhorar e no que precisamos persistir.
  4. Por último, não podemos nos esquecer de que sempre podemos pedir ajuda a familiares, a profissionais de confiança ou em casas espirituais, onde houver atendimento fraterno. Além disso, é importante termos tolerância conosco, com nossos erros, sermos humildes e pedir ajuda quando precisarmos de auxílio para obsevar e reconhecer a nós mesmos.

Vigiar pensamentos e atitudes

Segundo Emmanuel, em trecho do livro Fonte Viva:

As mais terríveis tentações decorrem do fundo sombrio de nossa individualidade (…). Renascemos na Terra com as forças desequilibradas do nosso pretérito para as tarefas do reajuste. Nas raízes de nossas tendências, encontramos as mais vivas sugestões de inferioridade. Não te proponhas, desse modo, atravessar o mundo, sem tentações, elas nascem contigo, assomam de ti mesmo e alimentam-se de ti.
— livro Fonte Viva, capítulo 110.

Precisamos lembrar que somos espíritos imortais e que a nossa melhor versão é agora, pois quando aprendemos algo novo não desaprendemos. E à medida que o tempo passa, vamos nos desenvolvendo e aprimorando nosso espírito.

No passado, fizemos escolhas equivocadas que nos acompanham até hoje, mas temos a capacidade de alterar e melhorar nossas tendências, nossos hábitos. E é bastante comum cometemos erros por não nos vigiarmos e não nos conhecermos. Entretanto, temos a oportunidade de mudar hábitos sem termos de sofrer tanto se estivermos atentos. Para isso, precisamos nos socializar e nos relacionar para reconhecermos nossas tendências e crescermos com o outro, pois não nos desenvolvemos sozinhos.

Apesar de precisarmos do outro para nos aprimorar, é prudente termos consciência de que não podemos mudar ao outro, nem culpá-lo pelo nosso comportamento. A responsabilidade do nosso desenvolvimento é somente nossa.

Para melhor entendimento, Allan Kardec em trecho de O Evangelho Segundo O Espiritismo nos diz:

A causa do mal está em nós próprios, e os maus espíritos apenas se aproveitam de nossas tendências viciosas, nas quais nos entretêm para nos tentarem. Cada imperfeição é uma porta aberta às suas influências, enquanto eles são impotentes e renunciam a qualquer tentativa contra os seres perfeitos. Tudo o que possamos fazer para afastá-los será inútil, se não lhes opusermos uma vontade inquebrantável na prática do bem, com absoluta renúncia ao mal. É, pois, contra nós mesmos que devemos dirigir os nossos esforços, e então os maus espíritos se afastarão naturalmente, porque o mal é o que os atrai, enquanto o bem os repele.
— O Evangelho Segundo O Espiritismo, capítulo 28.

Quando praticamos o bem não nos alinhamos com espíritos ou pessoas que querem o mal. Além disso, nós servimos de exemplo aos outros que não estão acostumados a agir no bem.

A importância da oração

Até agora falamos sobre a importância vigiarmos nossos pensamentos e atitudes para escolhermos agir de forma consciente e alinhada com os ensinamentos de Cristo. Mas a oração também tem um papel importante no nosso aprimoramento interno.

Vejamos o que nos diz Allan Kardec em O Evangelho Segundo O Espiritismo:

O espiritismo nos faz compreender a ação da prece ao explicar a forma de transmissão de pensamento, seja quando o ser a quem oramos atende ao nosso apelo, seja quando nosso pensamento eleva-se a ele.
Para se compreender o que ocorre nesse caso, é necessário imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluído universal que preenche o espaço, assim como na Terra estamos envolvidos na atmosfera.
Esse fluído é impulsionado pela vontade, pois é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som (…).
Quando, pois, o pensamento se dirige para algum ser, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice- versa. Uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento (…).
É assim que a prece é ouvida pelos espíritos, onde quer que eles se encontrem, assim que os espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem a suas inspirações, e que as relações se estabelecem à distância entre os próprios encarnados.
— O Evangelho Segundo O Espiritismo, capítulo 27, item 10.

Quando estamos atentos ao que acontece a nossa volta, conseguimos perceber as “coincidências”, que na realidade são comunicações invisíveis, mas reais, entre os espíritos encarnados ou não.

Assim, ao orarmos, nos comunicamos com outros espíritos e, se precisarmos de ajuda, eles nos responderão. Para isso precisamos estar atentos para receber estes sinais que eles nos enviam.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, pergunta 659, nos diz que existem três tipos de preces: “louvar, pedir e agradecer”. Louvar, nada mais é do que exaltar a Deus e à espiritualidade. Pedir, nós sabemos bem o que é. E para finalizar nossas preces, sempre devemos agradecer.

É importante confiarmos que estamos sendo olhados a todo o momento e acreditar nisso significa ter fé, pois nós nunca estamos desamparados.

Para concluir, vigiai é um alerta para nos conscientizarmos das nossas predisposições negativas e também das nossas qualidades que podem inspirar e ajudar os que estão a nossa volta. Orar serve para mantermos uma sintonia com a espiritualidade e nos conectarmos para nosso aprimoramento e renovação a cada instante. Além disso, ao vigiar e orar conseguimos enxergarmos Jesus em nós e nos outros. E sempre devemos lembrar de que Jesus é o caminho.

Acompanhe agora a íntegra da palestra que inspirou esta publicação:

*Colaborou para esta publicação: Fernanda Moura.
**Imagem em destaque via Pexels.com

Categorias: Notícias

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *