A ansiedade é considerada por muitos estudiosos como a doença do século XXI. Muitas pessoas se reconhecem ansiosas nos dias de hoje e se sentem reféns. A palestra exibida nos canais digitais da Associação Espírita Fé e Caridade teve como objetivo entender melhor a ansiedade e como o espiritismo pode nos ajudar a lidar melhor com ela.

O que é ansiedade?

A ansiedade é uma emoção natural que podemos sentir em determinados eventos da nossa vida. É um mecanismo de sobrevivência para passar por situações perigosas, uma resposta do organismo que estimula a secreção de adrenalina. Serve, portanto, para nos gerar um estado de alerta e expectativa sobre o que está por vir.

Todavia, a ansiedade excessiva e mais persistente se transforma em transtorno psicológico, influenciando ativamente a rotina e escolhas da pessoa. Nessa situação, constantemente há a antecipação de uma ameaça futura ou iminente, independe se essa ameaça é real ou simplesmente percebida.

Essa psicopatologia traz perturbações físicas, como na respiração, na digestão e no sono. E pode se manifestar de diversas formas: nos deixando irritadiços e acelerados ou mesmo abatidos e desesperados.

É um transtorno que traz desconforto e desequilíbrio. O indivíduo não consegue lidar de forma saudável com o seu cotidiano, porque há excesso de futuro. Isto é, quando vivemos fora do momento presente, sempre na expectativa de algo que deve acontecer, relacionado ao futuro.

Ansiedade: corrosivo da alma

Vamos conversar aqui sobre essa ansiedade que nos prejudica. A patologia que extrapola os limites naturais e assola milhões de pessoas pelo mundo.

A ansiedade parece muito atual, bem especificada e estudada. Porém, é um fenômeno muito antigo, sobre o qual Jesus já falava há mais de dois mil anos:

[…] não vos inquieteis com o amanhã, pois o amanhã se inquietará consigo mesmo.
— Mateus 6:34.

Nessa passagem, Jesus longe de nos coagir à displicência com o futuro, ou à preguiça e indisciplina, nos adverte sobre a inquietação que nos desgasta e atrapalha o serviço no bem.

Emmanuel cita a ansiedade como um dos piores corrosivos da alma. Corrosivo este que vai minando nossas forças de realização no presente, e que cria estados desequilibrados que nos levam a atos precipitados.

No passado e no presente, instrutores do espírito e médicos do corpo combatem a ansiedade como sendo um dos piores corrosivos da alma. De nossa parte, é justo colaboremos com eles, a benefício próprio, imunizando-nos contra essa nuvem da imaginação que nos atormenta sem proveito, ameaçando-nos a organização emotiva.
— Encontro Marcado, capítulo “Aflição vazia”.

Sociedade doente

A ansiedade patológica, mesmo que leve, faz parte da sociedade atual. Isso, porque hoje vivemos submetidos a muitas demandas e pressão para produtividade. A ponto de que suportamos constantemente um nível tolerável de stress.

Se de um lado vivenciamos conquistas velozes e extraordinárias para facilidades tecnológicas, de outro, infelizmente ainda não conseguimos encontrar a harmonia dos sentimentos e o equilíbrio das emoções, necessários à plenitude. As dificuldades internas se refletem em problemas de como lidar com a realidade externa.

Os tempos atuais favorecem a ansiedade pela quantidade de estímulos externos. Queremos urgência e respostas rápidas. Por exemplo, nas redes sociais ou aplicativos de mensagens instantâneas, chegamos a pensar que seremos desaprovados se não respondermos imediatamente. Temos que estar o tempo todo conectados para não “perder” nada.

Com isso, há a síndrome do pensamento acelerado. Estamos induzidos a pensar cada vez mais depressa e mais superficialmente. Não há tempo para profundidades. A quantidade de coisas que nos chega ultrapassa e transborda nosso limite de processamento.

Além disso, há uma criação artificial intensa de necessidade por bens de consumo. E tão logo esses bens são consumidos, surgem novas necessidades materiais. Existe o desejo pelo novo, como oportunidade de ser melhor e diferente do outro.

Assim é o ser humano moderno: eternamente insatisfeito e frustrado com a realidade, preso nas seduções ilusórias.

Afinal, ansiedade pelo quê?

Há muitos motivos que encontramos para “pré-ocupar” a mente. Ficamos ansiosos para resolver nossos problemas do mundo, seja no trabalho, na família, na aquisição de bens, ou também para superar nossas (muitas) imperfeições.

O fato é que estamos acostumados ao imediatismo, e queremos solucionar tanto as novas demandas como as dificuldades de séculos em um estalar de dedos. E quando não conseguimos, nos sentimos frustrados, agoniados e impacientes. Motivo pelo qual a ansiedade pode levar mesmo a depressão, quando não atendemos a nossas expectativas.

Entretanto, devemos tentar ir além da resposta direta à pergunta “pelo o que estou ansioso?”. E assim buscar compreender o que está por detrás dessa ansiedade, ou seja, seu real motivo. Nos perguntando:

  • Que movimento minha alma está sinalizando quando apresenta os sintomas de ansiedade?

Desconexão do indivíduo

Em O Homem Integral, a reflexão de Joanna de Ângelis gira em torno da desumanização dos dias atuais. Isto é, da desconexão do indivíduo em relação a quem realmente se é, para atender uma sociedade de aparências. Onde se valoriza o ter em detrimento do ser.

Há uma supervalorização da imagem, que vale mais do que a realidade. Todos parecem viver como se tivessem que cumprir uma ordem invisível, em que precisam ser visivelmente felizes e vencedores para os outros.

Existe o medo de ser quem se é, de não ser aceito, de ter que ser mais e melhor constantemente. Dessa forma, a pessoa tenta adequar-se, moldar-se, para atender um ideal coletivo muitas vezes inalcançável. Quanto mais cultuamos esse ideal, mais nos tornamos presas dele.

Quando buscamos nos adaptar a padrões estabelecidos pela sociedade competitiva, frequentemente exigimos de nós condutas que extrapolam nossos limites. Nos impomos uma postura alerta de adaptação ao exterior, de melhorar sempre por fora. Isso tudo é gerador de ansiedade.

Ocorre, assim, um ciclo vicioso, porque não conseguimos atingir as exigências sociais e temos mais receio de nos mostrar como somos e de sermos rejeitados. Essas exigências promovem o desamparo e a insegurança pessoal.

Realização exterior

Descarregamos as ansiedades em comportamentos compulsivos, como no consumismo, na alimentação desenfreada, nos cuidados neuróticos com o corpo, na bebida ou cigarro. Os vícios ou mudanças externas decorrentes da ansiedade são variados. Mas indicam que por dentro estamos nos ignorando.

Sobre isso, Joanna de Ângelis nos diz no livro O Ser Consciente:

“Esmagado por conflitos (…), o homem moderno procura mecanismos escapistas, em vãs tentativas de driblar as aflições, transferindo-se para os setores do êxito exterior, do aplauso e da admiração social, embora os sentimentos permaneçam agrilhoados pela angústia e insatisfação. As realizações externas podem acalmar as ansiedades do coração momentaneamente, porém, não podem erradicá-las, razão por que o triunfo externo não apazigua interiormente”.
— O Ser Consciente, prefácio.

E nessa tentativa de soterrar os conflitos íntimos sob preocupações exteriores contínuas, fica clara a evasão da realidade. Preenchemos todos os minutos de nossas vidas com mil atividades para conquistas externas, porém isso diminui a nossa capacidade de observar a vida interior.

A falta de clareza interna traz um sentimento de vazio existencial. Sem saber qual o objetivo de estarmos aqui, “quem eu sou“, “da onde venho”, “para onde vou”?

Ao colocar o mundo material acima das necessidades espirituais, o indivíduo desconecta-se da sua essência. De que adianta investir tanto para ser algo valoroso no mundo transitório, sem alimentar as verdades do Espírito imortal?

A busca pelo amor

A falta de maturidade psicológica do ser se reflete no apego às pessoas e às coisas materiais. Isso acaba reforçando a rejeição por si mesmo, a instabilidade emocional e o desajuste.

O indivíduo que tem ansiedade em geral é alguém que tem baixa auto-estima. Em que permanece a sensação de que se está devendo o tempo todo. Parecendo que “sou menos do que deveria ser” (menos produtivo, bonito, rico, etc). Ou também a sensação que se está desatualizado, sempre precisando saber ou ter o novo. Enfim, a pessoa sente-se constantemente não-merecedora e em débito com algo que nem se sabe o que é.

Criamos a ilusão de que para sermos amados por Deus, pelo próximo ou por nós mesmos, temos que ser perfeitos. E isso não é verdade, o Pai nos ama como nós somos, com todas nossas imperfeições. Nós amamos os outros, mesmo elas sendo também imperfeitas. Assim, também podemos e devemos nos amar.

Dentro da ansiedade, muitas vezes há falta de aceitação interior. Há a busca pelo amor do outro, provavelmente para preencher o buraco do próprio desamor. Se caminha na direção de situações de destaque, de valorização na tentativa inconsciente de realização de amor em si, que não chegará por essas vias.

Como Espiritismo nos ajuda com a ansiedade?

Em primeiro lugar, nos ajuda a entender quem somos, nos colocando fora dessa ilusão, desse fluxo de coisas que se perdem. É um acalento para o coração ter o conhecimento de que:

  • Somos almas imortais.
  • Nossa verdadeira Pátria é o plano espiritual.
  • Sempre evoluiremos ao longo da eternidade.
  • Nunca retrocederemos na evolução, a virtude adquirida é patente do Espírito.
  • Através da reencarnação, teremos quantas existências forem necessárias na carne para alcançar a pureza de espírito.
  • Se falharmos, temos o arrependimento, a expiação e a reparação como forma de apagar a falta.
  • O amor e misericórdia Divinos são infinitos.
  • Estamos aqui para evoluir espiritualmente amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
  • A essência Divina habita em nós, esta transparece à medida que buscamos a sabedoria e o amor.
  • Jesus é nosso guia e nunca abandona suas ovelhas.
  • Temos o auxílio de um espírito protetor (anjo guardião) que nos induz ao bem.
  • Temos o livre-arbítrio para escolha das nossas ações, somos responsáveis por elas.
  • Errar perante a lei divina ainda é normal no nosso nível evolutivo. Porém persistir no erro atrasa nosso único destino.
  • Nosso único destino é a felicidade plena junto ao Pai. Alcançá-la só depende de nós.

Por isso, a Doutrina Espírita clareia o nosso futuro, nos dando fé e esperança. Sabendo que há vida além desta existência, o olhar se modifica:

A ideia clara e precisa que se faça da vida futura proporciona inabalável fé no futuro, porque muda completamente o ponto de vista sob o qual encaram eles a vida terrena. Sabendo temporária a sua estada no lugar onde se encontra, menos atenção presta às preocupações da vida, resultando-lhe daí uma calma de espírito que tira àquela muito do seu amargor.
O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo II, “Meu reino não é deste mundo”, item 5.

O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena. Ora, aquele que a encara pelo prisma da vida espiritual apanha, num golpe de vista, a vida corpórea. Ele a vê como um ponto no infinito.

O fardo parece menos pesado quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.

Calma para o êxito

Conhecedor dessas verdades, até mesmo a ansiedade produto das autoexigências de perfeição espiritual se suavizam. Pois sabemos que temos que dar um passo de cada vez, um dia por vez, rumo a essa perfeição. Isso não quer dizer que devemos deixar a evolução para depois; visto que cada vez que postergamos a ação dignificadora a favor de nós mesmo, as circunstâncias se tornam mais complexas e difíceis. Mas sim, que é necessária a calma para o êxito.

A calma inspira a melhor maneira de agir. E sabe aguardar momento correto para atuar, propiciando os meios para a ação correta. Não antecipa, nem retarda.
A calma é filha dileta da confiança em Deus e na Sua Justiça, a expressar-se numa conduta reta que responde por uma atitude mental harmonizada.

— Episódios diários, capítulo 16, “A calma para o êxito”.

A ansiedade tem a ver com a falta de confiança de si mesmo, e a falta de confiança em Deus.

Autoconhecimento

O grande desafio contemporâneo para o Homem é seu autodescobrimento.
— O Homem Integral, capítulo 3, “A ansiedade”.

Se a ansiedade é resultante de uma equação interior, da alma aturdida, devemos nos voltar para essa dimensão em busca de respostas mais profundas. Ou seja, procurar mergulhar em si, e saber quem se é.

Instrução de Santo Agostinho

Na questão 919 de O Livro dos Espíritos, temos como meio mais eficaz de melhorar nesta vida e de resistir ao arrastamento do mal a instrução: “Conhece-te a ti mesmo”. Santo Agostinho nos ajuda nesse percurso de autoconhecimento:

Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e me perguntava se não faltara a algum dever […]. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que precisava de reforma em mim. Aquele que, todas as noites, se lembrar das ações que praticou durante o dia e se perguntar o bem ou o mal que fez, rogando a Deus e ao seu anjo guardião que o esclarecessem, grande força pode adquirir para se aperfeiçoar. Questionai-vos, portanto, sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que censuraríeis se feita por outrem.
— O Livro dos Espíritos, parte terceira, questão 919.

Vemos que a instrução de Santo Agostinho sobre conhecer a si mesmo não é pura e simplesmente levantar nossos defeitos e qualidades. Mas sim, entender o motivo das nossas reações e comportamentos.

Examinai o que pudestes ter obrado contra o vosso próximo e contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.
— O Livro dos Espíritos, parte terceira, questão 919.

Toda cura requer identificação com o erro e compromisso de reparação. Sempre por intermédio do poderoso influxo do amor. Santo Agostinho finaliza nos incentivando a essa prática constante:

Justo é que se gastem alguns minutos com esse balanço de nosso dia moral para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias suportando fadigas e privações temporárias para garantir repouso na velhice? Ora, o que é esse descanso, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá esse pequeno esforço diário?
— O Livro dos Espíritos, parte terceira, questão 919.

Abrindo o coração

Nem sempre queremos nos reconhecer, por termos a dificuldade de suportar, de aceitar quem somos. Sabemos que nesse mergulho íntimo vamos nos deparar com coisas boas e ruins.

O autoconhecimento ajuda a reconhecer as próprias potencialidades. Mas também a olhar com clareza e humildade para as próprias limitações. Jesus nos ensinou a reconhecer nossas limitações com amor e compreensão, acolhendo as diferenças, e amando o próximo como a si mesmo.

Escondemos nossas feridas morais sem perceber que todos “estamos no mesmo barco”, com desafios e buscas semelhantes. Se admito minhas fraquezas com humildade, poderei pedir ajuda.

Há muitos julgamentos gratuitos que nos dão medo de se abrir. Perdendo a chance da ajuda mútua. Comecemos fazendo a nossa parte, não julgando o outro quando se abre para nós, ouvindo com atenção e paciência. Senão, estaremos incentivando a cada um viver na sua “carapaça”.

Ao se reconhecer pequeno lado a lado com seus irmãos, sob os cuidados do Senhor, não há porque se inquietar.

Da mesma forma, a autoanálise deve ser feita sem julgamentos, sem condenações ou punição. Apenas o descobrir-se, desnudando-se das máscaras sociais. Por isso, indica-se criar uma dualidade entre o observador e o observado. E caso brotem lembranças do subconsciente, não fugir delas, encará-las a fim de superá-las.

Descobrir-se é trabalho de milênios para o gradativo autodomínio perante as forças titânicas remanescentes da nossa infância espiritual.

Ser capaz de reconhecer-se lidando com quem realmente somos parece a verdadeira prática do Evangelho. Vivendo com compreensão, cuidado e amabilidade com quem somos gera o sentimento de comunhão com nossa essência. Esse é o caminho para trabalhar no crescimento contínuo, com serenidade pelo futuro.

Conscientes

O Espiritismo convida o indivíduo a tomada de consciência a respeito de quem se é e do que se está fazendo consigo. Ao explicar as causas atuais e anteriores das aflições, entendemos porquê somos atingidos por vicissitudes e decepções na vida. Enxergamos, assim, o convite de remontar progressivamente à fonte dos males que nos atingem.

A conquista da autoconsciência tem início nesse cair em si, graças ao sofrimento experimentado que é desencadeador da necessidade de autoencontro profundo. O sofrimento convida normalmente à mudança de comportamento, porque expressa distonia na organização física, emocional ou psíquica que necessita de ajustamento. Essa experiência evolutiva conduz com segurança ao encontro com o Cristo interno, ajudando-o a ampliar as suas infinitas possibilidades de crescimento e de libertação.
— Em busca da verdade, capítulo 5, “Conviver e ser”.

Com a ansiedade não é diferente. Podemos ter esse comportamento de muitas encarnações. Ao entender a causa dos desafios externos, adquirimos mais maturidade para lidar com a realidade. Conseguimos, assim, enxergar com mais clareza problemas profundos e solucioná-los. Só o amadurecimento psicológico libera a consciência do ser.

O ser consciente deve trabalhar-se sempre, partindo do ponto inicial da sua realidade psicológica, aceitando-se como se é e aprimorando-se sem cessar.
[…]
Chegando a realização da consciência, deve expandi-la enquanto mais se autopenetra, e descobre novos potenciais a desenvolver.
Ser consciente de si mesmo é a meta existencial, conseguindo o autoamor que desdobra a bondade, a compaixão, a ação benéfica em favor do próximo.”
— O Ser Consciente, capítulo 38, “Ter e ser”.

Conhecendo nossas potencialidades, colocamos-as em serviço do próximo sempre que necessário. Reconhecendo o que precisamos desenvolver, traçamos rota de elevação.

O Homem integral é aquele que por reconhecer-se infinito, num largo processo de desenvolvimento intelecto-moral, ao longo de milhares de reencarnações, assume responsabilidade pelo trajeto selecionado até aqui, na intenção de fazer escolhas mais conscientes, visando o futuro que almeja.
— Contribuições de Joanna de Ângelis para a análise dos transtornos mentais, capítulo 4, pág. 89.

Meditação

À identificação segue-se o trabalho da transformação interior para melhor, utilizando-se dos instrumentos do autoamor, da autoestima, da oração que estimula a capacidade de discernimento, da relaxação que libera das tensões e da meditação que faculta crescimento interior.

Segundo Joanna de Ângelis, meditar significa reunir os fragmentos da emoção em um todo harmonioso. O que elimina as fobias e as ansiedades, liberando sentimentos que impedem o indivíduo de progredir. 

A meditação ajuda-nos a crescer de dentro para fora, ampliando a percepção da nossa realidade de espíritos imortais. Nos ajuda a acessar as potencialidades mais altas da alma.

Quem caminha sem meditar perde o contato consigo mesmo. Encurralado nos ponteiros do relógio, sempre com a mente disparada a frente deles, ou presa após eles, não vive o presente. Se usarmos para meditação os minutos que desperdiçamos em distrações do mundo, os mesmos irão se transformar em pontos luminosos do nosso dia.

Entretanto, toda vez que iniciamos tentando o encontro com o Eu profundo, as sensações físicas e expressões da vida material nos perturbam a experiência e desviam a atenção. Por isso, importante nos ajudarmos nesse começo de prática, procurando um lugar tranquilo e agradável, reservando-nos de interrupções.

A benfeitora Joanna sugere alguns passos singelos para o exercício da meditação. Primeiro a respiração calma, em ritmo profundo. Segundo, o relaxamento dos músculos, liberando pontos de tensão, mediante a expulsão da ansiedade e falta de confiança em si.

Tudo na vida é prática, repetição. Nossa mente está viciada em viver no futuro. Não será de uma hora para outra que iremos conseguir. Vamos aos poucos disciplinando nossos pensamentos. Substituindo hábitos mentais perturbadores por aqueles saudáveis que propiciam a vivência do amor. E assim, nos mantermos serenos, fixando a mente em ideias elevadas.

Aprendamos observando a natureza, que iustra as leis divinas. Ela nos ensina a fazer um pouco cada dia, dentro dos nossos limites, com calma, sem a pretensão sem tudo querer fazer da noite para o dia. As construções do Espírito são eternas e, por isso, demandam tempo. Algo que irá durar pela eternidade precisa receber o selo do tempo, do esforço, da perseverança e paciência.

Oração para aplacar a ansiedade

Quem comunga com a natureza, tem olhos de ver a beleza da criação, estuda e medita as palavras do Evangelho, e busca conhecer a si mesmo, começa a vibrar no clima da Eternidade.

A oração é um eixo vertical de contato com Deus. É pensar nele, aproximar-se dele e pôr-se em comunicação com Ele. Essas três ações nos fazem vibrar em comunhão com Deus. Louvar a beleza divina da vida, pedir ajuda nas dificuldades, e agradecer a tudo que se é e se tem hoje, aliviam nossas ansiedades.

Deus tem cuidado de nós. Ele é nosso Pai. Quem o busca de coração não voltará sem auxílio. O Senhor nem sempre dará o que queremos, mas o que necessitamos. Se precisamos de consolo amparo, de força moral, estímulo, sempre seremos atendidos. Sempre receberemos coragem, paciência e resignação.

Quem confia na Providência Divina, ciente de que fez o que podia, está muito mais em paz, harmonizado e prevenido contra as ansiedades. O passar do tempo é muito mais harmonioso. Sabendo que Deus proverá, façamos nossa parte, voltados para o bem e o amor.

Pausas

Precisamos da hora de descanso, de pausas para processar, respirar e sentir mais profundamente o que estamos vivendo. Precisamos nos desconectar das redes sociais para viver, vivenciar a família, dar atenção plena ao paceiro, filhos ou pais. Também para se refazer e buscar o autoencontro.

É importante buscar sair da dimensão de competição, da mentalidade de escassez tão em voga atualmente, para dimensão de doação, de compreensão e altruísmo. Assim, teremos uma melhoria muito grande no nosso estado de espírito.

Se fôssemos mais reflexivos, meditativos, e orássemos, ouviríamos a própria Consciência, com a voz dos benfeitores que se manifestam. Analisaríamos com mais propriedade a circunstâncias que nos são propostas.

Conseguiríamos enxergar o conteúdo de oportunidades de serviço que a vida nos oferece a cada dia, e saberíamos a dar mais valor a essas circunstâncias.

O fato de eu estar convivendo com essa pessoa difícil pode ser um encontro que estou esperando há séculos para que eu pudesse me reajustar hoje. O fato de eu ter esse trabalho desafiador hoje, pode ser algo que eu estava esperando há séculos e que agora está diante de mim.

Talvez não estejamos valorizando adequadamente essas oportunidades por estarmos vivendo muito apressados e ansiosos com as coisas do mundo. Deixando de lado o aperfeiçoamento moral.

Isso torna a caminhada mais áspera e pesada. Com Jesus, pela esperança que ele nos traz, o jugo é suave e o fardo é leve. Porque temos a certeza que fazendo o que nos cabe, tudo mais será se encaminhará da melhor maneira para nossa evolução. Vamos aprendendo a valorizar os patrimônios das oportunidades, ou seja, o tempo.

Feliz de nós se soubermos aproveitar o tempo desde já, nos renovar, para abreviar reencarnações necessárias à nossa depuração. Aproveitar o tempo sem antecipar nem postergar. A vida aqui é muito breve, façamos o melhor aqui sem desespero.

Confiança

Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”
— I Pedro, 5:7.

Pensemos: quantas demandas Simão Pedro tinha atender diariamente na Casa do caminho, igreja nascente? Eram perseguições, necessitados vindos de toda parte…

Se Pedro não tivesse aprendido a lidar com a ansiedade, a manter confiança e serenidade, dificilmente teria dado conta da sua tarefa. Como Pedro lidou com a ansiedade?

Pedro nos ensina: Aprendi a lançar as ansiedades em Deus.

Não no sentido de terceirizar responsabilidades para Deus. Mas sim, de buscar a solidez da vivência em Deus, para termos a resiliência e a força necessária para que as ansiedades não nos esmaguem.

Dessa forma, podemos aliviar o fardo interno de preocupações por meio confiança em Deus. Como uma panela de pressão que alivia a pressão. Assim acontece quando buscamos o Criador.

É preciso aprender a confiar em Deus, certos de que ele não nos desampara nunca.

Também, temos de confiar em nós mesmos. Somos filhos de Deus, o sal da terra, a luz do mundo, imagem e semelhança de Deus. Busquemos ser mais confiantes, de que somos capazes de superar nossas dificuldades.

“Melhorar e crescer sempre”. Que façamos brilhar a nossa luz, estudando, servindo, conhecendo-se, não estagnando ou se apegando ao que éramos, ao que podia ter sido.

O caminho é agradecer pelo que somos, fazer o melhor com o que temos. Aguardando esperançosos o que será, na certeza de que fazendo o que nos cabe Deus nunca faltará com sua parte.

Buscai primeiramente o Reino

Entreguemos nossas ansiedades a Deus, para que as respostas das dúvidas que bailam em nossa mente venham de um lugar mais superior, mais transcendente do que minha persona do ego. Confiemos em Jesus, Ele está no leme do barco de nossas vidas.

A vivência do Evangelho de Jesus continua sendo o melhor antídoto para a ansiedade e muitos outros transtornos psicológicos, através do terapêutica do amor.

Confiemos na presença amada de Jesus que nos assegurou que nenhuma de suas ovelhas se perderia. Para isso, precisamos aceitar o seu convite, apostando que o amor é o caminho que nos leva a plenitude do Ser.

Um passo de cada vez, mais vale a direção e o sentido do que a velocidade. A bússola do Evangelho nos indica o Norte. Primeiro direcionemos para este Norte que Jesus aponta. Então impriremos velocidade pela nossa vontade de persistir no bem e no amor!

Acompanhe agora a íntegra da palestra que inspirou esta publicação:

Referências:

  • FRANCO, Divaldo Pereira. Episódios diários. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 10 ed. Salvador: Leal, 2016. 216 p.
  • FRANCO, Divaldo Pereira. Em busca da Verdade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: Leal 2014. v. 15.
  • FRANCO, Divaldo Pereira. O Homem integral. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: Leal 2014. v. 2.
  • FRANCO, Divaldo Pereira. O ser consciente. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: Leal 2014. v. 5.
  • FRANCO, Divaldo Pereira et. al (Projeto Manoel Philomeno de Miranda). Consciência e Mediunidade. 7 ed. Salvador, LEAL, 2016. 224 p.
  • KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo II e V.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira, questão 919.
  • Roberto Gelson Luis (organizador). Contribuições de Joanna de Ângelis para a Análise dos Transtornos Mentais. São Paulo. 2019. 544 p.
  • XAVIER, Francisco Cândido. Encontro Marcado. Pelo Espírito Emmanuel. 14 ed. 1 imp – Brasília: FEB 2013.
  • XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília: FEB 2008. vol 2. cap. 8 (Ansiedades).
  • Youtube: Pão Nosso #08 – Ansiedades – Artur Valadares.
  • Youtube: Entre Dois Mundos – Ansiedade.

*Colaborou para esta publicação: Ana Maria Beims Lopes.

**Imagem em destaque via pexels.com

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